Barreira para enfrentar o fogo
Nos últimos meses, voluntários têm trabalhado ativamente para reflorestar a área atingida pelo incêndio. Até o momento, mais de 5.000 árvores nativas foram plantadas em uma área de oito hectares, com o objetivo de ajudar a recuperar a vegetação original e restaurar o ecossistema local. Essas árvores estão sendo cuidadas com sistemas de irrigação avançados, o que ajuda a garantir que cresçam saudáveis e resistentes.
Em dois anos, as raízes dessas árvores estarão bem estabelecidas, e as árvores terão crescido o suficiente para oferecer sombra, criando um ambiente mais favorável para o crescimento de outras espécies ao redor. O objetivo é criar um novo ecossistema que seja mais resiliente ao fogo e melhor adaptado às condições climáticas adversas.
Além disso, o plano de reflorestamento inclui o plantio de espécies que são capazes de se adaptar a condições de seca prolongada e chuvas escassas, características típicas do clima mediterrâneo da região. De acordo com Benjamín Véliz, diretor da ONG Wild Tree, que está colaborando no projeto, essas espécies são fundamentais para restaurar o equilíbrio ecológico e ajudar o parque a resistir melhor aos incêndios no futuro.
Ao contrário de árvores exóticas como o eucalipto, que se queima rapidamente e contribui para a rápida propagação do fogo, algumas das espécies nativas escolhidas são naturalmente mais resistentes ao fogo. Pesquisas realizadas pela Universidade Técnica Federico Santa María (USM) identificaram quais espécies de árvores têm uma menor propensão a pegar fogo e, portanto, podem ajudar a formar uma barreira natural contra os incêndios.
Essas árvores, que incluem espécies como litres e peumos, fazem parte de um ecossistema esclerófilo, típico dos climas mediterrâneos. Esse tipo de vegetação é altamente resistente à seca e ao calor extremo, e tem a capacidade de se regenerar após incêndios, o que torna a natureza local mais capaz de lidar com os desafios impostos pelo clima quente e seco.
As chuvas mais intensas que ocorreram em 2024, após uma década de seca severa, também ajudaram na recuperação do jardim botânico, proporcionando as condições ideais para que as novas árvores cresçam e se desenvolvam. Essas chuvas não só beneficiaram o reflorestamento, mas também mostraram como a natureza tem a capacidade de se renovar, mesmo após grandes desastres ambientais.
O diretor do jardim, Alejandro Peirano, observa que as árvores que queimaram estão voltando, especialmente aquelas do campo esclerófilo, como os litres, que são adaptadas ao clima e capazes de resistir aos incêndios. Ele destaca que, apesar da destruição causada pelos incêndios, a natureza do parque está reagindo e se recuperando, mostrando a força e a resiliência dos ecossistemas locais.
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