O compromisso com o financiamento climático
Bloomberg, que também atua como enviado especial da ONU para mudanças climáticas, reafirmou seu compromisso com o cumprimento das obrigações climáticas globais. Em seu comunicado, ele destacou que a Bloomberg Philanthropies e outros financiadores climáticos dos EUA garantiriam que o país continuasse cumprindo seus compromissos climáticos, mesmo após a retirada oficial do Acordo de Paris.
Embora o valor exato do financiamento não tenha sido divulgado, a organização explicou que este apoio busca cobrir as lacunas deixadas pelos cortes orçamentários do governo americano. A UNFCCC, o principal órgão climático da ONU, realiza negociações anuais entre quase 200 países e é responsável pela implementação de acordos globais, incluindo o Acordo de Paris.
Durante a gestão de Trump, o financiamento dos EUA à UNFCCC foi reduzido, o que resultou em um déficit orçamentário significativo para o órgão. Em 2024, os EUA pagaram 7,4 milhões de dólares referentes à sua contribuição anual e também quitaram 3,4 milhões de dólares em dívidas acumuladas desde 2010. O apoio da Bloomberg, portanto, representa uma tentativa de cobrir essas lacunas financeiras e garantir que a agenda climática global continue avançando.
Trabalho com estados, cidades e empresas
A Bloomberg também se comprometeu a trabalhar com estados, cidades e empresas dos EUA para garantir que o país continue cumprindo suas metas climáticas globais.
Ele ressaltou que, entre 2017 e 2020, durante o período de inação federal, diversas entidades nos EUA, incluindo estados, cidades e empresas, assumiram a responsabilidade de manter os compromissos climáticos do país.
De acordo com a Bloomberg, esses atores estão novamente prontos para continuar esse trabalho, independentemente da postura do governo federal.
Reações ao apoio da Bloomberg
Simon Stiell, chefe climático da ONU, agradeceu em nota o apoio da Bloomberg, destacando a importância dessa contribuição para garantir que as negociações climáticas globais não sejam interrompidas.
Linda Kalcher, diretora-executiva do “Think Tank Strategic Perspectives” ou Centro de Pesquisa Estratégias Perspectivas (um centro de pesquisa que se dedica a estudar questões estratégicas, políticas e globais, com foco em mudanças climáticas e sustentabilidade), observou que a ação da Bloomberg reflete a disposição de outros atores nos EUA, como empresas e estados, para preencher uma lacuna pela política federal e continuar a colaboração internacional em questões.
Sobre Michael Bloomberg
Michael Bloomberg nasceu em 14 de fevereiro de 1942, em Boston, Massachusetts. Ele se formou em Engenharia Elétrica pela Universidade Johns Hopkins e depois fez um MBA na Harvard Business School. Antes de criar a Bloomberg LP em 1981, trabalhou na empresa de investimentos Salomon Brothers.
A Bloomberg LP cresceu rapidamente e virou uma das maiores empresas de serviços financeiros do mundo, oferecendo desde software de análise até informações financeiras.
Como prefeito de Nova York (2002-2013), Bloomberg fez muitas mudanças importantes nas áreas de saúde, segurança, transporte e meio ambiente, como a redução das emissões de carbono. Seu governo se destacou por usar dados e análises para tomar decisões, o que lhe trouxe tanto apoio quanto críticas.
Além de sua carreira nos negócios e na política, Bloomberg é um dos maiores doadores dos Estados Unidos. Sua fundação, Bloomberg Philanthropies, apoia causas como mudanças climáticas, educação, saúde pública e combate às desigualdades sociais. Ele também tem investido em projetos globais, como a luta contra o tabagismo e políticas de saúde pública.
Em 2020, Bloomberg tentou se candidatar à presidência dos EUA, mas depois decidiu não disputar e apoiar outros candidatos com ideias semelhantes. Seu legado é bem reconhecido no mundo dos negócios e no ativismo climático, e ele segue sendo uma figura importante no combate às mudanças climáticas no mundo.
Leia também: Crise climática pode causar prejuízo de R$ 8 trilhões nos EUA


