Edital foi publicado após análises e trocas com moradores da região
Retomando o lançamento do edital, Helena Tenório, diretora do BNDES, mencionou o longo percurso de discussões e escuta realizado para a elaboração do concurso. Ela destacou que foram realizadas mais de 15 horas de oficinas e uma pesquisa de opinião com mais de 600 moradores da região para entender seus anseios por mais desenvolvimento cultural e econômico.
Tenório enfatizou que somente arquitetos e urbanistas negros poderão concorrer, visando uma máxima legitimidade nas soluções propostas. As melhores ideias serão premiadas, mas todas poderão ser aproveitadas para o desenvolvimento da Pequena África. O BNDES espera ajudar na transformação e potencialização dessa região do Rio de Janeiro.
João Jorge, da Fundação Palmares, ressaltou que a cultura afro e negra é fundamental para cidades como Rio de Janeiro e Salvador, sendo mais do que apenas um aspecto turístico. Ele afirmou que “nós não somos apenas os ex-esclavos, nós somos os consultores do Brasil moderno. Nós somos os edificadores de um novo país”. Ele também lembrou a importância de todo o período que antecedeu o presente.
Leandro Grass, do IPHAN, afirmou que o governo tem compromisso com o patrimônio cultural de matriz africana em todo o Brasil, mencionando o reconhecimento de quilombos e a restauração de terreiros. Ele destacou a importância de iniciativas como a do BNDES para compreender que o patrimônio são as pessoas, sendo a relação com esses bens culturais e a memória promovida que constroem o futuro. Grass concluiu que essa ação garante o direito de cada morador para que as próximas gerações sintam orgulho do lugar.
Benedita da Silva enfatizou a importância de políticas públicas para atender a população, principalmente os mais vulneráveis. Ela parabenizou o BNDES pela iniciativa e se colocou à disposição para futuros empreendimentos necessários à população negra da região, incluindo o apoio aos negócios locais, ao resgate histórico e ao Museu ao ar livre. Para ela, os quilombos são como as favelas, que precisam ser assistidas.
Macaé Evaristo, Ministra dos Direitos Humanos, celebrou o papel do BNDES ao olhar para a “parcela significativa da população brasileira, que é o povo negro do nosso país, que durante tantos anos esteve completamente marginalizado do olhar dessas instituições importantes como o BNDES”.
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