O impacto do governo Trump nos investimentos sustentáveis, pode ser apenas temporário, considerando o foco de investidores em economia verde voltado para o médio e longo prazo. Com isso, há preocupações gerais com o enfraquecimento da participação de bancos em alianças climáticas, que cada vez estão menores.
No início de 2025, grandes bancos dos Estados Unidos, como Goldman Sachs e Wells Fargo, saíram da NZBA, aliança global voltada para o compromisso de zerar emissões até 2050. Ao longo do ano, outras instituições, como Citigroup, Bank of America, Morgan Stanley e J.P. Morgan, também se retiraram. A saída dessas instituições ocorreu em um contexto de forte pressão política e regulatória nos Estados Unidos, com críticas crescentes à agenda ESG e temores de processos antitruste (conjunto de normas que visa promover a competição justa no mercado e evitar práticas abusivas).
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Apesar das retiradas, muitos desses bancos afirmam continuar com seus compromissos de sustentabilidade, porém de forma independente ou em outras iniciativas, como o GFANZ (Aliança Financeira de Glasgow para Net Zero), um grupo formado durante a conferência climática COP26.
A visão brasileira sobre o investimento verde e o “efeito Trump”
O “efeito Trump” deve ser passageiro, pois investidores comprometidos com sustentabilidade tendem a manter sua estratégia de longo prazo de acordo com especialistas. No Brasil, o investimento verde é visto principalmente como uma necessidade econômica, não apenas um cumprimento de metas climáticas.
O professor José Niemeyer, do Ibmec, destaca em entrevista ao O Povo, que o país tem potencial em energia de biomassa e hidrogênio verde, com a economia verde cada vez mais alinhada à realidade nacional.
Arthur Ramos, executivo do BCG, complementa durante a mesma entrevista, que o Brasil precisa ser apresentado como um “hub de soluções climáticas”, aproveitando sua matriz limpa, energia competitiva e avanços regulatórios, como a lei do “combustível do futuro”.
Financiamento da bioeconomia na Amazônia Legal
Um diagnóstico recente identificou 159 mecanismos financeiros e 111 instituições atuantes no financiamento da bioeconomia na Amazônia Legal. No entanto, o estudo aponta desafios como fragmentação das iniciativas, dificuldades logísticas e fundiárias, e taxas de juros incompatíveis com o retorno dos investimentos comunitários.
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Ele recomenda a criação de uma estratégia nacional para o financiamento da bioeconomia, articulando fontes públicas, privadas, filantrópicas e multilaterais, com foco territorial e fortalecimento da presença financeira nas comunidades.
Perspectivas de investimento
O BCG, empresa global de consultoria que faz parcerias com líderes empresariais e sociais para enfrentar seus desafios mais importantes, estima que o Brasil pode atrair entre US$ 2,6 trilhões e US$ 3 trilhões em investimentos caso empresas brasileiras se comprometem a zerar emissões até 2050. Ramos também coordena o Brazil Climate Summit, que será realizado em Nova York em 19 de setembro, cujo objetivo é demonstrar ao mercado internacional o potencial do Brasil como polo global para produtos industriais verdes.
O cenário atual evidencia um momento de transição nos investimentos verdes, com sinais de retração das instituições financeiras norte-americanas diante da instabilidade política. Ao mesmo tempo, o Brasil mobiliza potencialidades econômicas ligadas à sustentabilidade, como incentivos legais, capacidade tecnológica e apelo internacional.
Nesse processo, os desafios do financiamento regional e a adaptação dos investidores à volatilidade global ainda demandam mecanismos e políticas específicas para manter o fluxo de investimentos alinhados com os objetivos ambientais e econômicos do país.


