Entusiasmo brasileiro versus resistência francesa
Em 2023, o governo brasileiro demonstrou otimismo em relação ao acordo.
“Minha intenção é assinar esse acordo ainda este ano”, declarou Lula em um evento recente.
Maurício Lyrio, principal negociador do Ministério das Relações Exteriores (MRE) sobre o tema, também manifestou confiança: “Vemos as negociações de forma positiva”, afirmou.
Conforme o governo brasileiro, os ajustes no texto foram concluídos, e os últimos pontos foram submetidos aos líderes do Mercosul e da União Europeia. Na prática, isso significa que a conclusão do acordo agora depende exclusivamente da vontade política dos blocos.
Contudo, o otimismo do Brasil contrasta com a oposição da França, um influente membro da União Europeia. O país, que há anos tenta barrar o avanço do tratado, reafirmou sua postura em 2024, com o presidente Macron declarando em Buenos Aires: “A França é contra esse acordo.”
A resistência francesa se deve, principalmente, à pressão de agricultores locais, preocupados com a concorrência de produtos do Mercosul, especialmente carne oriunda de Brasil, Argentina e Uruguai. Apesar de ser a segunda maior economia da União Europeia, a França não possui autoridade técnica para bloquear sozinha o acordo, que é conduzido pela Comissão Europeia.
“Se os franceses não quiserem o acordo, eles não têm mais voz. Quem decide é a Comissão Europeia”, rebateu Lula. Ainda assim, a França busca estratégias para atrasar as negociações.


