O protecionismo francês
Especialistas destacam que a oposição da França reflete a influência de seu setor agrícola, receoso quanto à concorrência de produtos do Mercosul. Liderado por Emmanuel Macron, esse lobby argumenta que o tratado pode ameaçar empregos e permitir a entrada de produtos fora dos padrões ambientais e sanitários da União Europeia.
Ainda assim, analistas avaliam que a França encontrará dificuldades para barrar o acordo sozinha e, por isso, busca alianças.
Regiane Bressan, professora consultada, acredita que, apesar das resistências, a assinatura do tratado é provável, especialmente com a proximidade da Cúpula do Mercosul.
A influência de Donald Trump
Outro fator que pode acelerar as negociações é a recente eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos. Especialistas apontam que suas políticas protecionistas podem motivar maior cooperação entre América do Sul e Europa.
“A primeira assinatura do acordo, em 2019, foi influenciada pela eleição de Trump. Agora, um novo mandato pode criar oportunidades para o avanço do tratado”, afirmou Cairo Junqueira.
Para Regiane Bressan, países europeus como Alemanha e Espanha enxergam o acordo com o Mercosul como estratégico diante das incertezas geopolíticas.
“Esses países buscam fortalecer a presença europeia na América do Sul em resposta ao protagonismo crescente de China e Rússia. No caso da Alemanha, o acordo é uma forma de preservar sua influência na região em um cenário global desafiador”, concluiu.
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