Em 10 de dezembro de 2023, Javier Milei assumiu a presidência da Argentina com a promessa de enfrentar uma economia descontrolada, marcada por hiperinflação e câmbio desvalorizado.

Um ano depois, o país apresenta um cenário econômico diferente, com inflação mais moderada, mas desafios sociais persistentes, como a pobreza superior a 50% da população. Para turistas brasileiros, a pergunta persiste: viajar para a Argentina ainda é barato?
Inflação e câmbio em 2024: como ficou o cenário?
A inflação, que chegou a registrar taxas mensais acima de 25% no início de 2024, desacelerou significativamente. Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) mostram que, em outubro, a alta de preços foi de 2,7% comparada ao mês anterior. Contudo, no acumulado do ano, os preços ainda subiram 107%, reflexo de um ajuste econômico que, embora necessário, ainda não se traduziu em estabilidade plena.
Mesmo com a inflação controlada, o peso argentino continua desvalorizado. Em 2024, a promessa de dolarização da economia, uma das principais bandeiras de Milei, não foi implementada. O ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou recentemente que o governo planeja eliminar o “cepo” cambial — os controles que dificultam o acesso ao dólar —, mas isso deve ocorrer apenas em 2025. Enquanto isso, a moeda americana continua sendo a melhor alternativa para turistas que visitam o país.
Viajar para a Argentina ainda é vantajoso?
Sim, especialmente para brasileiros que buscam destinos internacionais econômicos. Um levantamento do buscador de viagens KAYAK apontou Buenos Aires e Mendoza como algumas das opções mais acessíveis para o verão de 2024.
O preço médio das passagens aéreas para a capital argentina é de R$ 2.072, com uma leve redução de 1% em relação a 2023. Já Mendoza, famosa por suas vinícolas, apresenta passagens médias de R$ 2.582.
Além disso, Buenos Aires oferece hospedagem com preços médios de R$ 638 por diária, tornando-a uma das capitais sul-americanas mais competitivas no quesito custo-benefício. Para quem busca alternativas além da capital, destinos como Bariloche estão em alta, com um aumento de 52% nas buscas de turistas brasileiros, atraídos pelas paisagens da Patagônia.
Leia também: Argentina: a estratégia de Milei para baixar inflação e estabilizar o dólar
Qual moeda levar para a Argentina?
Especialistas recomendam levar dólares. A moeda americana possui o maior poder de compra e é amplamente aceita em áreas turísticas. Com uma taxa de câmbio de cerca de 1.016 pesos por dólar, o turista tem a oportunidade de obter melhores negociações em lojas e restaurantes que preferem pagamentos na moeda estrangeira.
No entanto, é prudente carregar também uma quantia em pesos argentinos, especialmente para quem planeja visitar cidades menores ou estabelecimentos menos turísticos, onde o dólar pode não ser aceito. Outra alternativa é usar o cartão de débito ou crédito para despesas maiores, enquanto o dinheiro em espécie pode ser reservado para gastos menores.
O impacto de Milei no turismo
A administração de Milei trouxe algumas mudanças que afetam indiretamente o turismo. A desaceleração da inflação é um ponto positivo para viajantes, pois permite maior previsibilidade de preços durante a estadia. No entanto, as incertezas quanto à política cambial e a persistência da pobreza no país ainda criam um cenário de instabilidade econômica.
Para turistas brasileiros, o custo-benefício continua atrativo, mas é importante planejar com cuidado. A combinação de dólar e pesos na bagagem, aliada à pesquisa prévia sobre hospedagens e passagens, garante uma viagem mais tranquila e econômica.


