Apoio popular cresce, mas articulação política emperra
O debate em torno do fim da escala 6×1 ganhou força nas redes sociais a partir de um vídeo publicado em setembro de 2023 por Rick Azevedo, então balconista de farmácia. O desabafo viralizou e deu origem ao Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), que já mobilizou mais de 1,3 milhão de assinaturas em uma petição online em defesa de uma jornada mais equilibrada, como o modelo 4×3 — quatro dias de trabalho e três de descanso.
A própria Erika Hilton reconheceu, em entrevista à CNN, que o texto foi protocolado com “uma certa gordura”, visando facilitar a negociação no Congresso. “Se conseguirmos aprovar 5×2, já é um grande avanço”, afirmou. Para que uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) seja aprovada, são necessários 308 votos em dois turnos na Câmara dos Deputados e 49 no Senado.
O governo federal ainda não abraçou oficialmente a proposta. Em pronunciamento no Dia do Trabalhador, o presidente Lula (PT) afirmou que é “hora de o Brasil dar esse passo” e prometeu aprofundar o debate sobre a jornada de trabalho, embora não tenha mencionado a escala 6×1 diretamente. Ministros próximos ao Planalto afirmam que o tema pode representar uma oportunidade de reconexão com o eleitorado trabalhador, que tem migrado para a direita.
Nos bastidores, Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais, sinalizou que pretende colocar o tema como uma das prioridades da articulação no Congresso. No entanto, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ainda não pautou nenhuma discussão concreta sobre a questão desde que assumiu o cargo.


