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Mais de 900 mil famílias deixam o Bolsa Família em julho

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O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) informou que 921 mil famílias serão desligadas do Bolsa Família neste mês de julho.

A decisão foi tomada após verificação de aumento de renda dessas famílias, que passaram a contar com maior estabilidade econômica, seja por meio do emprego formal ou da ampliação de atividades autônomas.

Mais de 900 mil famílias deixam o Bolsa Família em julho
Famílias brasileiras têm aumento da renda e saem do Bolsa Família | Foto: Reprodução / Canva

Dentre os casos identificados, 536 mil famílias estavam incluídas na Regra de Proteção, mecanismo que permite a permanência no programa com valor reduzido, por até 24 meses, quando a renda mensal por pessoa fica entre R$ 218 e R$ 706. Esse grupo já completou o período máximo previsto e, por isso, deixará de receber o benefício, mesmo que parcial.

Outros 385 mil lares superaram o limite de meio salário mínimo por integrante, o que corresponde atualmente a R$ 706. Essas famílias passam a não receber mais os valores por ultrapassarem o teto permitido para permanência.

Cruzamento de dados e política de retorno

As análises que resultaram nos cortes são feitas com base no cruzamento de dados do governo federal, especialmente com o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Essa base foi atualizada em março, tornando os procedimentos mais eficientes e automatizados e permitindo identificar com mais precisão o perfil de renda dos beneficiários.

Mesmo após o encerramento do benefício, os dados dessas famílias permanecem ativos no Cadastro Único (CadÚnico), sistema utilizado para a inclusão em programas sociais. Isso é essencial para o funcionamento da política de Retorno Garantido, que possibilita o reingresso prioritário ao Bolsa Família caso as condições econômicas voltem a se deteriorar.

O Retorno Garantido contempla quem completou os dois anos da Regra de Proteção ou pediu a saída voluntária do programa. Se a renda cair novamente e os critérios forem atendidos, essas famílias poderão retornar com prioridade, sem necessidade de uma nova triagem completa.

Inserção no mercado de trabalho

Conforme o ministério, os dados mais recentes mostram avanço na inserção de inscritos no CadÚnico no mercado formal. Em 2024, 98,8% das vagas com carteira assinada foram ocupadas por pessoas registradas no sistema, sendo que 75,5% estavam no Bolsa Família. A informação reforça o impacto positivo do programa na integração social e produtiva da população.

Ainda segundo o governo, em 2023, cerca de 50% dos brasileiros passaram a integrar a chamada classe média, com rendimento individual superior a R$ 3.400. Dentro desse grupo, 972 mil cidadãos estavam anteriormente incluídos em cadastros de assistência social, o que aponta mobilidade econômica entre beneficiários.

Novas regras de transição

Com as mudanças recentes, uma nova etapa de transição foi iniciada neste mês. Cerca de 36 mil famílias, com renda per capita entre R$ 218 e R$ 706, passaram a receber 50% do valor do benefício por até 12 meses. Esse período de transição é menor do que o anteriormente oferecido, que durava até dois anos.

Além disso, o MDS passou a adotar critérios diferenciados para domicílios com rendimentos estáveis, como aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas). Nesses casos, o auxílio poderá ser mantido por até dois meses após a constatação do aumento de renda, considerando a previsibilidade dessas fontes.

As mudanças fazem parte de um esforço para tornar o Bolsa Família mais dinâmico e adaptado à realidade das famílias brasileiras. O objetivo é garantir que os recursos públicos sejam direcionados a quem realmente enfrenta dificuldades financeiras, ao mesmo tempo em que se reconhece o avanço de grupos que superaram a pobreza com o apoio do programa.

As atualizações reforçam a ideia de que o Bolsa Família não é apenas uma política de transferência de renda, mas também uma ponte para que milhares de brasileiros conquistem autonomia econômica e novas oportunidades no mercado de trabalho.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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