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Governo envia carta aos EUA contra tarifa de Trump

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O governo brasileiro enviou, na última terça-feira, 15 de julho, uma carta oficial ao governo dos Estados Unidos manifestando “indignação” diante da decisão do presidente norte-americano Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.

A medida, apelidada de “tarifaço”, foi anunciada por Trump seis dias antes, gerando forte reação dentro do governo e preocupação entre empresários e exportadores brasileiros. O Brasil, no entanto, reforçou na carta que está disposto a negociar uma solução e evitar uma escalada nas tensões comerciais.

Carta do governo contra tarifa de 50% dos EUA
Carta assinada por Geraldo Alckmin é enviada ao governo dos Estados Unidos para discutir tarifas | Foto: Reprodução/ Brenno Carvalho / Agência O Globo

O documento foi assinado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A carta foi direcionada ao secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, e ao representante de Comércio norte-americano, Jamieson Greer.

No texto, os representantes do governo Lula classificaram a decisão como arbitrária e injustificada, além de ressaltar que a justificativa dada por Trump não se sustenta nos dados oficiais.

O presidente dos Estados Unidos alegou, ao anunciar o tarifaço, que os EUA mantêm uma relação comercial “deficitária” com o Brasil. Ou seja, na visão de Trump, os americanos estariam comprando mais do que vendendo aos brasileiros, o que justificaria uma reação para “equilibrar” a balança.

No entanto, os números do comércio bilateral mostram o oposto: os Estados Unidos têm tido superávit na balança comercial com o Brasil, o que indica que os americanos vendem mais para os brasileiros do que compram. O governo Lula, inclusive, já havia enviado em maio uma minuta com esses dados em busca de diálogo, mas não obteve resposta da parte americana.

Carta diplomática cobra respeito e propõe diálogo urgente

Na carta enviada nesta semana, Alckmin e Vieira deixaram claro que o Brasil considera as novas tarifas como uma violação das práticas do comércio internacional e um gesto que fere a parceria histórica entre os dois países. Eles lembram que as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos sempre se pautaram pelo respeito mútuo e pela disposição para resolver conflitos por meio do diálogo.

O texto afirma ainda que o governo brasileiro está “aberto a negociações imediatas” para rever a medida antes que ela entre em vigor, o que está previsto para o dia 1º de agosto.

A ofensiva tarifária de Trump deve impactar significativamente diversos setores da economia brasileira, especialmente o agronegócio, a indústria de transformação e a exportação de insumos como aço e alumínio.

Empresas brasileiras que mantêm contratos com compradores americanos temem prejuízos imediatos, já que a elevação de 50% no custo de entrada dos produtos no mercado dos EUA pode inviabilizar negócios ou reduzir drasticamente a competitividade frente a concorrentes de outros países.

Ainda assim, o tom da carta foi cuidadosamente diplomático. O Brasil expressou sua indignação, mas também sinalizou abertura para o entendimento. A estratégia do governo Lula é evitar que o episódio se transforme numa guerra comercial prolongada, o que poderia afetar não apenas as exportações brasileiras, mas também os investimentos estrangeiros e o fluxo comercial com outros parceiros.

Brasil poderá adotar medidas recíprocas, mas prefere evitar confronto

Apesar do apelo ao diálogo, o governo brasileiro também prepara respostas caso os Estados Unidos mantenham a nova tarifa. Em abril deste ano, o Congresso Nacional aprovou a chamada Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao governo federal aplicar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais ao Brasil. Essa lei foi regulamentada pelo presidente Lula no último dia 14 de julho, e já está em vigor.

Com base nessa legislação, o Brasil poderá responder com tarifas semelhantes sobre produtos americanos. A intenção, segundo fontes do governo, é deixar claro que o país tem instrumentos legais para reagir à altura, mas que essa via só será adotada como último recurso, se os canais diplomáticos falharem. A resposta ideal, reforça o Planalto, ainda é o diálogo.

Além das tratativas diplomáticas, o Brasil também articula uma frente política para pressionar Washington. O embaixador dos Estados Unidos em Brasília, por meio do encarregado de negócios, Gabriel Escobar, procurou o Senado brasileiro e manifestou interesse em manter uma relação positiva entre os dois países. Há, inclusive, a possibilidade de que uma comitiva de senadores brasileiros viaje aos EUA para buscar apoio político no Congresso norte-americano contra o tarifaço.

Internamente, o governo montou um comitê interministerial liderado por Alckmin para avaliar os impactos econômicos e estudar estratégias conjuntas com representantes da indústria, do comércio e da agricultura. A iniciativa busca fortalecer a posição brasileira e demonstrar união entre Estado e setor produtivo diante de uma ameaça comercial que pode ter consequências graves.

Esforço é para evitar deterioração nas relações com os EUA

Nos bastidores, auxiliares do presidente Lula afirmam que o envio da carta marca uma tentativa clara de evitar a deterioração das relações diplomáticas com os Estados Unidos. O Brasil tem buscado se firmar como um parceiro confiável na arena internacional e vê nas relações com os americanos uma aliança estratégica. Por isso, mesmo diante da hostilidade tarifária, a prioridade continua sendo o diálogo e a solução pacífica dos conflitos.

A expectativa do governo brasileiro é de que os EUA respondam oficialmente à carta e que uma rodada de conversas bilaterais seja marcada nos próximos dias. O prazo extraoficial mencionado por Alckmin para uma resposta é até o final de julho. Caso não haja avanços, o Brasil poderá então colocar em prática as medidas previstas na Lei da Reciprocidade.

Por enquanto, o governo Lula aposta na diplomacia como ferramenta principal para evitar que a decisão de Trump evolua para uma crise comercial mais ampla. A firmeza na defesa dos interesses nacionais foi combinada com um tom conciliador, que deixa portas abertas para a retomada do entendimento com um dos maiores parceiros comerciais do país.

Confira a carta na íntegra:

Carta do governo contra tarifa de 50% dos EUA
Governo brasileiro busca resposta diplomática com carta aos EUA, mas reforça soberania nacional | Foto: Reprodução /Governo Federal

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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