Brasil poderá adotar medidas recíprocas, mas prefere evitar confronto
Apesar do apelo ao diálogo, o governo brasileiro também prepara respostas caso os Estados Unidos mantenham a nova tarifa. Em abril deste ano, o Congresso Nacional aprovou a chamada Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao governo federal aplicar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais ao Brasil. Essa lei foi regulamentada pelo presidente Lula no último dia 14 de julho, e já está em vigor.
Com base nessa legislação, o Brasil poderá responder com tarifas semelhantes sobre produtos americanos. A intenção, segundo fontes do governo, é deixar claro que o país tem instrumentos legais para reagir à altura, mas que essa via só será adotada como último recurso, se os canais diplomáticos falharem. A resposta ideal, reforça o Planalto, ainda é o diálogo.
Além das tratativas diplomáticas, o Brasil também articula uma frente política para pressionar Washington. O embaixador dos Estados Unidos em Brasília, por meio do encarregado de negócios, Gabriel Escobar, procurou o Senado brasileiro e manifestou interesse em manter uma relação positiva entre os dois países. Há, inclusive, a possibilidade de que uma comitiva de senadores brasileiros viaje aos EUA para buscar apoio político no Congresso norte-americano contra o tarifaço.
Internamente, o governo montou um comitê interministerial liderado por Alckmin para avaliar os impactos econômicos e estudar estratégias conjuntas com representantes da indústria, do comércio e da agricultura. A iniciativa busca fortalecer a posição brasileira e demonstrar união entre Estado e setor produtivo diante de uma ameaça comercial que pode ter consequências graves.


