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IPCA e tarifas de Trump movimentam o calendário econômico da semana

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A semana entre os dias 6 e 12 de julho promete ser decisiva para os rumos da economia global e brasileira. Dois eventos centrais ganham destaque no calendário econômico: a possível retomada das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump e a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, o principal termômetro da inflação no Brasil.

Ambos os acontecimentos têm potencial de impactar diretamente o mercado financeiro, as expectativas de juros e as decisões de política monetária, tanto aqui quanto nos EUA.

IPCA e tarifas de Trump movimentam o calendário econômico da semana | Foto: Reprodução/Canva
A semana de 6 a 12 de julho reúne elementos que podem mudar o rumo da economia global e brasileira. Do lado internacional, a possível reinstauração das tarifas por Trump pode desestabilizar mercados e impactar o comércio global | Foto: Reprodução/Canva

Tarifas de Trump: o “Dia D” da guerra comercial

Desde que voltou ao poder, Trump retomou sua política protecionista e anunciou, em 2 de abril, a intenção de reinstaurar tarifas a países que não tenham acordos comerciais com os EUA. O prazo final para esses países firmarem novos acordos expira em 9 de julho, data que o mercado já apelidou de “Dia D” da guerra comercial.

Até agora, os EUA firmaram acordos com o Reino Unido e com o Vietnã. O acordo com os britânicos, porém, ainda não está totalmente fechado. Há rumores de que a Índia pode ser o próximo país a firmar um entendimento, enquanto potências como Japão, União Europeia e China seguem em compasso de espera. Com os europeus, fala-se em manter a atual tarifa recíproca de 10%.

Segundo o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Besset, a partir de agora devem “chover” anúncios de acordos. No entanto, a indefinição sobre os maiores parceiros comerciais, especialmente China e União Europeia, aumenta a tensão nos mercados.

Para o Brasil, qualquer mudança nas tarifas dos EUA pode impactar cadeias de exportação e importação, pressionar o dólar e afetar indiretamente a inflação. No fechamento de 5 de julho, o dólar comercial operava em R$ 5,37.

Inflação brasileira no radar: IPCA de junho pode indicar desaceleração

Na quarta-feira, 10 de julho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o IPCA de junho. A expectativa do mercado, conforme o último Boletim Focus do Banco Central, é de alta de 0,26% no mês, acumulando 5,32% em 12 meses, acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%.

O resultado ganha ainda mais relevância diante do atual ciclo de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) tem mantido a taxa Selic em 10,50% ao ano desde maio, alegando necessidade de vigilância contra pressões inflacionárias, sobretudo nos serviços, que vêm apresentando resistência à desaceleração.

Se o IPCA vier abaixo do esperado, pode reforçar a tese de que os juros altos estão fazendo efeito e abrir espaço para cortes futuros. Caso contrário, o Banco Central pode manter a Selic elevada por mais tempo.

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Outros indicadores importantes no Brasil

Além do IPCA, a semana também traz outros dados relevantes:

  • IGP-DI (segunda, 8h): o índice que mede a inflação na ponta da oferta caiu -0,85% em junho, conforme divulgado pela FGV. Essa deflação ajuda a conter a pressão sobre o IPCA nos próximos meses.
  • Vendas no Varejo (terça, 9h): expectativa de recuo de 0,40% em maio na comparação com abril, mas alta de 4,80% na base anual.
  • Volume de Serviços (sexta, 9h): espera-se crescimento de 0,20% em maio sobre abril, e 1,80% no acumulado de 12 meses.

Esses números são cruciais para entender o ritmo da atividade econômica. Caso apontem desaceleração, podem reforçar a leitura de que os juros altos estão reduzindo a demanda, o que é um sinal positivo para o controle da inflação, mas também indica desafios ao crescimento.

Fed também em destaque: ata pode sinalizar rumo dos juros nos EUA

Nos Estados Unidos, outro evento com potencial de mexer nos mercados é a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, marcada para terça-feira, 9 de julho, às 15h (horário de Brasília).

Apesar da taxa de desemprego ter recuado de 4,2% para 4,1% em junho, e da criação de vagas ter superado as expectativas, o núcleo do índice PCE, o indicador de inflação preferido do Fed, subiu em maio. Isso torna o cenário para cortes de juros ainda incerto.

O chair do Fed, Jerome Powell, mantém o discurso de cautela, afirmando que é preciso ver os impactos das tarifas antes de decidir. A ata pode indicar se há membros do FOMC inclinados a antecipar um corte na reunião de julho.

A semana de 6 a 12 de julho reúne elementos que podem mudar o rumo da economia global e brasileira. Do lado internacional, a possível reinstauração das tarifas por Trump pode desestabilizar mercados e impactar o comércio global. No Brasil, o IPCA de junho e os dados de atividade serão determinantes para os próximos passos da política monetária.

Com tantas incertezas no ar, o investidor precisará acompanhar os dados com atenção redobrada e preparar-se para oscilações nos juros, câmbio e nos preços ao consumidor. Afinal, como mostra o calendário econômico, esta é uma daquelas semanas que podem fazer preço e história.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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