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Megaprojeto fiscal de Trump pode afetar milhões nos EUA

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Um novo e controverso pacote fiscal avança no Congresso dos Estados Unidos sob o apoio do ex-presidente Donald Trump, reacendendo debates sobre desigualdade econômica e estabilidade fiscal. A proposta, considerada um “megaprojeto” por aliados, prevê cortes de impostos para empresas, estímulos à indústria e redução de incentivos a setores como energia limpa e assistência social, medidas que podem redesenhar o cenário econômico norte-americano para os próximos anos.

O Senado aprovou a proposta no início de julho, e agora ela segue para votação final na Câmara dos Representantes. De acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), a medida aumentaria o déficit fiscal em cerca de US$ 3,4 trilhões até 2035. Em reais, o impacto chega a aproximadamente R$ 18,7 trilhões (considerando a cotação de R$ 5,50 por dólar).

Trump. Foto: Reprodução/Unsplash/Carlos Barria megaprojeto
O novo pacote fiscal impulsionado por Trump reacende a velha disputa entre estímulo ao crescimento via mercado versus proteção social e equilíbrio fiscal |Foto: Reprodução/Unsplash/Carlos Barria

Quem ganha com o megaprojeto?

As principais beneficiadas seriam grandes empresas e trabalhadores de alta renda. Entre os destaques, está a dedução integral e imediata de gastos com construção de novas instalações industriais, uma mudança especialmente atraente para o setor de semicondutores. Esse incentivo seria retroativo a 19 de janeiro de 2025 e válido até construções iniciadas em 2028.

Além disso, empresas de energia fóssil e indústrias tradicionais ganham força com a retirada de impostos e subsídios que antes favoreciam fontes renováveis como solar e eólica. Fabricantes de veículos elétricos, por outro lado, perderiam créditos de até US$ 7.500 (cerca de R$ 41 mil) por carro vendido a partir de setembro deste ano, benefício que, originalmente, vigoraria até 2032.

Segundo análise do Penn Wharton Budget Model, os 20% mais ricos da população terão um ganho líquido médio anual de quase US$ 13 mil (aproximadamente R$ 71,5 mil). Já o 0,1% mais rico pode ver a renda anual aumentar em mais de US$ 290 mil (em torno de R$ 1,6 milhão).

Pequenas empresas e classe média

O projeto também propõe tornar permanente uma dedução especial para proprietários de empresas do tipo pass-through, comum entre médicos, advogados e investidores. A Câmara propôs aumentar a dedução de 20% para 23%, mas o Senado manteve os 20%.

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Trabalhadores que recebem gorjetas e horas extras teriam permissão para deduzir parte dessas receitas do imposto de renda: até US$ 25 mil (R$ 137,5 mil) para gorjetas e US$ 12,5 mil (R$ 68,7 mil) para horas extras. No entanto, apenas quem ganha até US$ 160 mil por ano (R$ 880 mil) poderia se beneficiar.

Famílias de renda média em estados com altos impostos locais também ganham algum alívio: o limite de dedução de tributos estaduais e locais sobe para US$ 40 mil (R$ 220 mil) por ano, por cinco anos, desde que a renda não ultrapasse US$ 500 mil (R$ 2,75 milhões).

Quem perde?

O impacto mais severo recai sobre a população de baixa renda. O projeto prevê cortes históricos em programas sociais como o Medicaid (sistema público de saúde) e o SNAP (programa de vale-alimentação). Pela primeira vez, o Medicaid exigiria comprovação de trabalho, estudo ou voluntariado para continuidade do benefício — inclusive de pais com filhos a partir de 14 anos.

Estima-se que milhões perderão acesso ao seguro-saúde e alimentação básica. Segundo o CBO, mais de 10 milhões de americanos poderão ficar sem cobertura médica até 2034. O impacto recairá também sobre hospitais, especialmente os que atendem populações vulneráveis. A Associação Americana de Hospitais alertou que os cortes de quase US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,5 trilhões) no Medicaid seriam “irreparáveis”.

O projeto inclui ainda cortes em subsídios do Obamacare (Affordable Care Act), dificultando o acesso à saúde mesmo para famílias de renda média.

Sustentabilidade em xeque

As energias renováveis sofreram um duro golpe com a remoção de incentivos fiscais. Apesar da exclusão de um imposto de última hora sobre energia solar e eólica, a proposta do Senado ainda elimina incentivos a novos projetos até 2027. A Associação Americana de Energia Limpa classificou a medida como “um retrocesso que eliminará empregos e elevará as contas de luz”.

Risco fiscal

A explosão do déficit fiscal é uma das maiores preocupações dos críticos. O CBO projeta que os gastos com juros da dívida dos EUA ultrapassem US$ 1 trilhão (R$ 5,5 trilhões) por ano. Para comparação, esse valor já supera todo o orçamento do Departamento de Defesa.

Com juros elevados, consumidores e empresas enfrentarão condições mais caras para financiamento de imóveis, veículos ou expansão de negócios. E o próprio governo terá menos margem de manobra para novos investimentos sociais ou infraestrutura.

O novo pacote fiscal impulsionado por Trump reacende a velha disputa entre estímulo ao crescimento via mercado versus proteção social e equilíbrio fiscal. Com benefícios concentrados nos mais ricos e riscos substanciais para os mais pobres, a proposta deixa os Estados Unidos diante de um impasse: crescer a qualquer custo ou buscar uma distribuição mais equilibrada dos frutos da economia.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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