Exportadores brasileiros são os mais afetados pela tarifa
A cobrança, que vale desde 18 de julho, afeta principalmente as exportações de alimentos como açúcar, arroz e milho, que eram isentos do chamado “imposto de importação”.
Esse imposto, conhecido tecnicamente como ad valorem, é calculado com base no valor do produto e aumenta o preço final pago pelos consumidores no país de destino — nesse caso, os venezuelanos.
O Brasil, que teve um superávit de quase US$ 778 milhões (cerca de R$ 4,2 bilhões) com a Venezuela no ano passado, poderá sentir o efeito desse novo entrave comercial principalmente nas regiões que dependem desse mercado. Roraima, por exemplo, é um dos estados mais impactados, já que boa parte de suas exportações vai diretamente para o país vizinho.
Em 2023, o Brasil exportou cerca de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6,68 bilhões) para a Venezuela, sendo grande parte composta por alimentos. Por outro lado, importou US$ 422 milhões (cerca de R$ 2,35 bilhões), principalmente em produtos industriais, como alumínio, fertilizantes e derivados de petróleo.
Segundo informações da Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio de Roraima, os empresários foram informados que a cobrança foi retomada não só para o Brasil, mas também para os demais países do Mercosul — Argentina, Paraguai e Uruguai. Isso chama atenção, já que todos têm acordos bilaterais que deveriam garantir isenção dessas taxas.
O governo venezuelano, até o momento, não apresentou explicações formais sobre o motivo da mudança. Especialistas acreditam que pode haver razões políticas por trás da decisão, já que as relações entre Brasil e Venezuela estão estremecidas desde o ano passado.


