Crise diplomática agrava cenário comercial
O governo brasileiro não reconheceu a reeleição de Nicolás Maduro, apontada por muitos como fraudulenta, e vetou o ingresso da Venezuela no grupo dos Brics.
Outro ponto que agrava a situação é o fato de a Venezuela estar suspensa do Mercosul desde 2016, por violar normas democráticas do bloco. Mesmo suspensa, os acordos comerciais continuam valendo — o que torna a nova cobrança uma possível violação do Acordo de Complementação Econômica nº 69, que proíbe a taxação mútua de produtos.
Diante do cenário, o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) divulgou nota afirmando que acompanha o caso em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A Embaixada do Brasil em Caracas foi acionada para tentar esclarecer a situação e retomar a normalidade do comércio entre os países.
A medida venezuelana pode causar impactos diretos nos preços de alimentos, tanto no Brasil quanto na Venezuela. Para os consumidores venezuelanos, o encarecimento dos produtos brasileiros tende a reduzir o consumo e abrir espaço para produtos de outros países.
Já para o Brasil, a perda de mercado pode gerar prejuízos aos exportadores, principalmente os pequenos e médios produtores, que terão mais dificuldade para competir com outros fornecedores.
Além disso, o anúncio ocorre em um momento delicado para o Brasil, que já se prepara para enfrentar uma nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre suas exportações, também prevista para entrar em vigor nos próximos dias. Ou seja, dois dos principais parceiros comerciais do país podem, em um curto espaço de tempo, limitar severamente a entrada de produtos brasileiros.
Para muitos empresários, a principal preocupação agora é com a instabilidade jurídica e política envolvendo as relações comerciais. Sem previsibilidade, fica difícil planejar investimentos, contratar novos funcionários ou ampliar produção.


