Impacto global das tarifas
Desde que o novo tarifaço foi anunciado, em abril deste ano, as medidas atingiram produtos equivalentes a US$ 1,4 trilhão (cerca de R$ 7,66 trilhões) em importações. O setor agrícola americano, que antes era beneficiado pela forte demanda chinesa, agora sente os efeitos da perda de competitividade.
Com os custos maiores, os chineses optaram por intensificar as importações da América do Sul. O Brasil, segundo maior produtor mundial de soja, acabou ocupando esse espaço. Mesmo que em alguns casos a soja americana seja vendida a preços até US$ 40 (aproximadamente R$ 219) mais baratos por tonelada, os impostos cobrados pela China fazem com que o grão brasileiro seja a opção mais vantajosa.
O crescimento nas exportações de soja para a China também revela desafios internos para o Brasil. Embora o país esteja aproveitando a demanda, há limitações logísticas que podem frear o ritmo. A capacidade de armazenagem nacional cobre apenas 60% a 70% da produção. Isso faz com que, em momentos de safra cheia, caminhões funcionem como armazéns improvisados, sobrecarregando estradas e portos.
Ainda assim, o desempenho do Brasil no mercado internacional impressiona. Em 2024, o país enviou aproximadamente 69 milhões de toneladas de soja para a China, gerando cerca de US$ 30 bilhões (aproximadamente R$ 164,24 bilhões) em receita.


