Governo e derrota em 2022
Como presidente, Bolsonaro manteve questionamentos à segurança das urnas eletrônicas e entrou em embates constantes com o STF. Sua condução da pandemia da Covid-19, marcada por críticas a medidas sanitárias adotadas em outros países, também gerou forte controvérsia.
Derrotado em 2022 por Luiz Inácio Lula da Silva, passou a ser investigado por envolvimento em atos que culminaram na invasão das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. As apurações identificaram reuniões, elaboração de uma minuta golpista e o Plano Punhal Verde-Amarelo, que previa inclusive o assassinato de autoridades.
Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral o tornou inelegível por oito anos por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Em novembro de 2024, foi indiciado pela Polícia Federal por tentativa de golpe de Estado, e em fevereiro de 2025 denunciado pela Procuradoria-Geral da República junto a 36 aliados.
Na reta final do processo, depôs pessoalmente no STF, foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica e teve prisão domiciliar decretada. O julgamento em setembro de 2025 consolidou a maior condenação já imposta a um ex-presidente da República no Brasil.
A trama do golpe
Às vésperas da derrota, Bolsonaro e aliados planejaram envolver Forças Armadas e apoiadores em uma ação semelhante à invasão do Capitólio, nos Estados Unidos.
No dia das eleições, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acusada de dificultar a chegada de eleitores ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT). Após a confirmação da vitória de Lula, apoiadores de Bolsonaro montaram acampamentos em frente a quartéis pedindo intervenção militar. Caminhoneiros também realizaram bloqueios em rodovias.

Meses depois, a Operação Punhal Verde e Amarelo revelou documentos de militares próximos ao governo, que detalhavam planos de assassinatos, fechamento de instituições e instalação de um “gabinete paralelo” de crise.
Outras investigações e condenações
Em junho de 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tornou Bolsonaro inelegível por oito anos, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.
Em novembro de 2024, a Polícia Federal (PF) indiciou o ex-presidente por tentativa de golpe de Estado. Mesmo inelegível, entre fevereiro e outubro de 2024, percorreu ao menos 143 cidades como cabo eleitoral de candidatos do Partido Liberal (PL).
Em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bolsonaro e mais 33 pessoas por tentativa de golpe.
Reta final antes do julgamento
O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, buscou apoio nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e ministros do STF com base na Lei Magnitsky, que permite que o governo americano bloqueie bens, contas bancárias ou investimentos e até proíba a entrada no país de pessoas acusadas de corrupção ou de violar direitos humanos. Ela pode ser aplicada mesmo que esses crimes não tenham acontecido nos Estados Unidos, ou seja, a lei alcança estrangeiros que cometeram irregularidades em seus próprios países.
Em junho de 2025, Jair Bolsonaro depôs pessoalmente no STF. Em julho, passou a usar tornozeleira eletrônica por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Em agosto, teve prisão domiciliar decretada.
Ao todo, a PGR denunciou 33 pessoas, divididas em quatro núcleos de atuação.
O julgamento final
O processo contra Bolsonaro, chamado Ação Penal (AP) 2668, começou em 2 de setembro de 2025. O julgamento presencial durou cinco sessões: dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro.Com a maioria formada, o STF condenou o ex-presidente a mais de 27 anos de prisão, num dos julgamentos mais marcantes da história política recente do Brasil.


