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Megaoperação no Rio de Janeiro escancara o custo bilionário da violência no estado

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O custo fiscal da segurança

O estudo “O Funil de Investimento da Segurança Pública e Sistema Prisional” da organização Justa (2024) aponta que o Rio de Janeiro foi o estado que mais gastou com polícias em 2023, destinando R$ 10 bilhões para a área — o equivalente a 10,6% do orçamento estadual. Esse valor foi superior ao gasto com educação, que ficou em R$ 9,9 bilhões.

Do total aplicado em segurança, R$ 7,9 bilhões (79%) foram direcionados à Polícia Militar e R$ 2,1 bilhões (21%) à Polícia Civil. Esses recursos cobrem salários, manutenção de viaturas, munições, equipamentos e treinamento.

O custo fiscal da violência é o dinheiro gasto pelo governo para lidar com as consequências da criminalidade — operações, prisões, hospitais, indenizações e reposição de materiais.

Custo da violência no Rio de Janiero vai além do humano
Insegurança impacta diretamente o funcionamento do transporte público e a circulação de trabalhadores e estudantes | Foto: Reprodução / Wikimedia

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP, 2025) informou que o governo federal repassou R$ 1,16 bilhão do Fundo Nacional de Segurança Pública para os estados neste ano, parte destinado ao Rio. Esse valor cobre ações de policiamento, infraestrutura penitenciária e integração das forças estaduais e federais.

As megaoperações e o custo humano

Um relatório do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF, 2023) mapeou 629 operações com chacinas no Rio de Janeiro entre 2007 e 2022, somando 2.554 mortos. Dessas, 27 foram classificadas como “mega-chacinas”, com oito ou mais mortos. Apenas duas resultaram em denúncia do Ministério Público, e nenhuma foi julgada.

O estudo mostra que a letalidade policial aumentou de 9,5% das mortes violentas em 2013 para 35,4% entre 2020 e 2022. Isso significa que mais de um terço das mortes violentas na região metropolitana foi provocada em ações de segurança.

Além das vidas perdidas, há custos indiretos: indenizações às famílias, destruição de infraestrutura urbana e desvalorização de imóveis nas áreas afetadas.

O peso da violência no crescimento e no custo de vida

Empresas evitam investir em regiões consideradas de alto risco: comércios locais perdem movimento e os moradores passam a gastar mais com segurança privada, transporte alternativo e seguros, o que aumenta o custo de vida.

Pesquisas do Banco Interamericano de Desenvolvimento e da CNC mostram que esse ciclo de insegurança reduz o potencial de crescimento do PIB e prejudica a criação de empregos formais. Para o trabalhador, isso se reflete em salários mais baixos, preços mais altos e menor estabilidade no mercado de trabalho.

Ainda segundo a pesquisa, a criminalidade “atua como um imposto invisível”, pois obriga empresas e pessoas a gastarem mais apenas para se proteger, diminuindo a quantidade de dinheiro que poderia ser investida em consumo, investimento ou educação.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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