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Brasil aumenta expectativa de vida em 31,1 anos em nove décadas, diz IBGE

A expectativa de vida ao nascer no Brasil subiu para 76,6 anos em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento corresponde a cerca de dois meses e meio a mais de vida em comparação a 2023 e confirma a tendência de avanço da longevidade no país ao longo das últimas décadas.

Expectativa de vida do Brasil aumenta, segundo IBGE
Em 1940, a média nacional era de apenas 45,5 anos, o que significa que, em 90 anos, os brasileiros passaram a viver mais 31,1 anos | Foto: Reprodução / Freepik

Mulheres vivem mais, enquanto homens jovens seguem mais expostos

As mulheres continuam vivendo consideravelmente mais que os homens. Em 2024, a expectativa feminina subiu para 79,9 anos, enquanto a masculina chegou a 73,3 anos, uma diferença de 6,6 anos. Segundo o IBGE, essa distância está muito ligada ao comportamento da mortalidade entre jovens do sexo masculino, que continuam mais vulneráveis a mortes violentas, como homicídios, acidentes de trânsito e outras causas externas.

O levantamento mostra que a chamada “sobremortalidade masculina” é maior entre os 15 e os 29 anos. Rapazes de 15 a 19 anos têm 3,4 vezes mais chance de morrer do que garotas da mesma idade. Entre aqueles de 20 a 24 anos, essa proporção sobe para 4,1 vezes, e na faixa de 25 a 29 anos, fica em 3,5 vezes.

O IBGE explica que esse comportamento, observado há décadas, está associado ao rápido processo de urbanização do país a partir dos anos 1980, quando as mortes violentas passaram a ocupar posição importante na estrutura de mortalidade brasileira. Mesmo com os avanços, o instituto afirma que a expectativa de vida dos homens poderia ser ainda maior se esse tipo de ocorrência fosse menos frequente.

Mortalidade infantil cai e ajuda a elevar a expectativa de vida

A taxa de mortalidade infantil, que considera as mortes de crianças com menos de um ano, também apresentou recuo. Em 2024, o índice ficou em 12,3 mortes por mil nascidos vivos, abaixo das 12,5 mortes por mil registradas em 2023. A queda é expressiva quando observada em perspectiva histórica: em 1940, o Brasil registrava 146,6 mortes infantis por mil nascidos, o que evidencia uma grande melhora ao longo do tempo.

Para o IBGE, a redução contínua dessa taxa está ligada a diversos fatores. Campanhas de vacinação, maior acesso ao pré-natal, incentivo ao aleitamento materno, atuação dos agentes comunitários de saúde e programas de nutrição infantil têm desempenhado papel central nessa evolução.

Além disso, avanços sociais, como aumento da renda, da escolaridade e do número de domicílios com saneamento adequado, também contribuíram para a queda das mortes infantis e, consequentemente, para o aumento da expectativa de vida no país.

População idosa vive mais do que nunca

O aumento da longevidade não se limita à expectativa ao nascer. Quem chega aos 60 anos em 2024 passa a viver, em média, mais 22,6 anos, número superior ao registrado no ano anterior, quando a expectativa adicional era de 22,5 anos. Esse é o maior valor em nove décadas de medição. Em 1940, uma pessoa de 60 anos tinha perspectiva média de viver apenas mais 13,2 anos.

As diferenças entre homens e mulheres continuam nessa fase da vida. Aos 60 anos, os homens vivem em média mais 20,8 anos, enquanto as mulheres vivem mais 24,2 anos. Aos 80 anos, a tendência se mantém: elas têm expectativa de viver mais 9,5 anos, enquanto eles vivem mais 8,3 anos. O IBGE destaca que esses números reforçam a transformação da estrutura etária do país, que vem envelhecendo de forma acelerada.

Brasil avança, mas ainda distante dos países mais longevos

Apesar da melhora significativa, o Brasil segue atrás das nações com maior expectativa de vida. Em 2024, países como Mônaco (86,5 anos), San Marino (85,8 anos), Hong Kong (85,6 anos), Japão (84,9 anos) e Coreia do Sul (84,4 anos) lideram o ranking global de longevidade. Mesmo assim, o IBGE ressalta que a melhora contínua dos indicadores brasileiros demonstra evolução importante nas condições de vida, de saúde e de assistência à população.

O que os dados mostram sobre o futuro do país?

O aumento da expectativa de vida gera uma série de impactos na vida prática dos brasileiros e nas políticas públicas. Uma população que vive mais exige maior atenção à saúde preventiva, ao cuidado prolongado, ao financiamento da previdência e a programas de proteção social voltados especialmente aos idosos.

Ao mesmo tempo, a alta mortalidade entre jovens homens aponta para um desafio urgente em segurança, educação e políticas sociais direcionadas à juventude, que ainda enfrenta riscos muito superiores aos das mulheres.

Mesmo com esses desafios, o avanço da expectativa de vida confirma que o país segue melhorando em aspectos essenciais, como saúde pública, acesso a serviços básicos e condições sociais gerais. Para o IBGE, o conjunto desses fatores explica por que brasileiros estão vivendo mais e com mais qualidade do que no passado.

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