Estruturas pouco claras e ausência de acolhimento ampliam o abismo informacional
O levantamento destaca um cenário descrito por especialistas como um abismo informacional. Esse conceito se refere à distância entre os direitos garantidos por lei e a capacidade prática das pessoas negras de acessarem esses direitos.
A dificuldade começa pela falta de orientação sobre onde buscar ajuda, passa pela pouca clareza dos procedimentos de denúncia e se agrava com a ausência de retorno por parte das instituições. A combinação desses fatores alimenta um ciclo de insegurança e desestímulo, já que muitas pessoas não sabem a quem recorrer e temem não serem levadas a sério.
A pesquisa aponta ainda que 77,1% dos participantes afirmam distinguir entre racismo e injúria racial, o que é um passo importante para identificar corretamente o tipo de crime no momento da denúncia. O racismo é classificado como um crime que atinge a coletividade, envolvendo práticas discriminatórias contra um grupo racial. Já a injúria racial ocorre quando uma pessoa utiliza referências relacionadas à raça, cor ou etnia para ofender diretamente outra pessoa.
Mesmo com essa compreensão conceitual, os dados mostram que ela não se converte em ações práticas. A falta de orientação institucional e a dificuldade para acessar delegacias especializadas ou canais de denúncia criam barreiras que impedem muitos avanços no enfrentamento ao racismo.


