O Brasil e a Índia avançaram nas negociações para ampliar a cooperação econômica, com foco em minerais críticos, incluindo as chamadas terras raras. O acordo foi discutido neste sábado, 21 de fevereiro, durante encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, em Nova Délhi, capital da Índia.
Minerais críticos são recursos naturais considerados essenciais para a produção de tecnologias modernas. Eles são usados, por exemplo, na fabricação de carros elétricos, placas de energia solar, celulares, motores de aviões e equipamentos militares. Já as terras raras são um grupo específico desses minerais, muito importantes para a indústria eletrônica e energética.

Isso significa que o país tem grande quantidade desses recursos ainda disponíveis no solo, o que pode gerar exportações, investimentos e empregos.
A Índia, por sua vez, quer reduzir sua dependência de outros países, principalmente da China, que hoje domina a maior parte da produção global desses minerais. Por isso, o governo indiano busca novos parceiros comerciais, como o Brasil, para garantir o fornecimento necessário ao crescimento de sua economia.
Durante a reunião, os dois países devem assinar um memorando de entendimento. Esse tipo de documento é um acordo formal que estabelece a intenção de cooperação entre os países, abrindo caminho para futuros contratos, investimentos e projetos conjuntos.
Comércio entre os países já passa de R$ 75 bilhões
Além da cooperação mineral, Brasil e Índia querem aumentar o comércio bilateral, que é a troca de produtos entre dois países. Em 2025, esse comércio já superou 15 bilhões de dólares, o equivalente a cerca de R$ 75 bilhões na cotação atual.
Os dois governos estabeleceram como meta atingir 20 bilhões de dólares até 2030, cerca de R$ 100 bilhões. Esse crescimento pode beneficiar empresas brasileiras e gerar empregos, principalmente em setores ligados à exportação.
Exportação é a venda de produtos brasileiros para outros países, o que traz dinheiro para a economia nacional. Quando as exportações aumentam, empresas produzem mais, o que pode gerar mais vagas de trabalho e renda.
A Índia já é o principal parceiro comercial do Brasil na América Latina, ou seja, é o país da região que mais compra e vende produtos com os indianos.
A demanda indiana por produtos brasileiros tem crescido, principalmente por causa da expansão da infraestrutura e da indústria no país asiático. Entre os principais produtos vendidos pelo Brasil estão petróleo, açúcar, algodão, óleos vegetais e minério de ferro.
Terras raras são estratégicas para o futuro da economia
Os minerais críticos ganharam importância porque são fundamentais para a chamada transição energética, que é a mudança do uso de combustíveis poluentes, como petróleo e carvão, para fontes mais limpas, como energia solar e elétrica. Eles também são essenciais para a indústria de tecnologia, que produz celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos.
Hoje, a China domina quase toda a produção mundial desses minerais, o que preocupa outros países, pois cria uma dependência econômica. Por isso, países como Índia e Brasil buscam diversificar fornecedores, ou seja, ampliar o número de parceiros comerciais para reduzir riscos e garantir o abastecimento.
Para o Brasil, isso representa uma oportunidade de atrair investimentos, que podem estimular o crescimento econômico, aumentar a produção e gerar empregos.
Relação econômica ganha força e atrai empresas
A parceria entre Brasil e Índia também abre espaço para empresas brasileiras ampliarem sua atuação no exterior. Empresas como a Embraer já estão expandindo operações na Índia, com planos relacionados à produção de aeronaves.
Esse tipo de iniciativa fortalece a presença do Brasil no mercado internacional e pode trazer benefícios como aumento das exportações e geração de empregos.
Os dois países também discutiram temas ligados ao comércio global, especialmente após terem sido afetados por tarifas aplicadas pelos Estados Unidos em 2025.
Viagem busca ampliar negócios e investimentos
A viagem do presidente Lula à Índia faz parte de uma estratégia para fortalecer as relações comerciais com países considerados estratégicos para o Brasil. Ele chegou ao país na quarta-feira acompanhado por ministros e empresários, participou de uma cúpula global sobre inteligência artificial e realizou reuniões com autoridades locais.
Após os compromissos na Índia, o presidente seguirá para a Coreia do Sul, onde participará de um fórum de negócios e terá encontros com lideranças políticas. O objetivo dessas viagens é aumentar o comércio, atrair investimentos e criar oportunidades para empresas brasileiras.
Com grandes reservas de minerais críticos e parcerias com economias em crescimento, como a Índia, o Brasil pode ampliar suas exportações e fortalecer sua economia.


