O programa Desenrola Brasil, criado para facilitar a renegociação de dívidas e reduzir a inadimplência no país, continua sendo bem avaliado pelos brasileiros. Segundo levantamento da Genial/Quaest divulgado na última quarta-feira, 10 de junho, 70% dos entrevistados consideram o programa uma boa iniciativa ou acreditam que ele ajuda, ao menos parcialmente, no orçamento das famílias.
Os dados reforçam a relevância da política pública em um cenário em que o endividamento ainda afeta grande parte da população. A mesma pesquisa mostrou que 69% dos brasileiros afirmam possuir algum tipo de dívida atualmente.
Principais números da pesquisa Quaest
O levantamento revelou indicadores importantes sobre a percepção dos brasileiros em relação ao programa:
- 50% consideram o Desenrola uma boa ideia;
- 20% afirmam que o programa ajuda um pouco;
- 25% avaliam a iniciativa como negativa;
- 61% já ouviram falar do programa;
- 10% disseram ter sido beneficiados diretamente pela renegociação de dívidas.
A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 8 de junho, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país e margem de erro de dois pontos percentuais.

Resultados positivos do Desenrola Brasil
Desde sua criação, o programa acumulou resultados expressivos. Dados do Ministério da Fazenda mostram que entre 11,5 e 15 milhões de pessoas foram beneficiadas ao longo das fases da iniciativa. Esse volume expressivo de atendimento permitiu o retorno de uma grande massa de consumidores ao mercado consumidor.
Além disso, houve redução de 8,7% na inadimplência entre o público mais vulnerável, formado por pessoas com renda de até dois salários mínimos ou inscritas no Cadastro Único, o que representa uma importante medida de proteção social e melhora na renda disponível das famílias.
Antes mesmo do encerramento da primeira fase, o programa já havia registrado 10,7 milhões de brasileiros atendidos e R$ 29 bilhões em dívidas renegociadas. Posteriormente, os números totais avançaram para mais de R$ 35 bilhões renegociados, gerando uma injeção indireta de liquidez no mercado e ajudando na limpeza de balanço das instituições financeiras.
Os descontos oferecidos chegaram a 98,6% em alguns acordos, o que representou uma redução drástica do prejuízo dos bancos em troca da recuperação imediata de capital.
Como o Desenrola ajuda as famílias brasileiras
Entre os principais benefícios apontados por especialistas e pelos próprios participantes estão:
- Recuperação do acesso ao crédito: ao regularizar pendências financeiras, consumidores conseguem melhorar seu histórico e ampliar as possibilidades de obter crédito em condições mais favoráveis.
- Descontos significativos: o programa permitiu renegociações com abatimentos elevados, reduzindo consideravelmente o valor total das dívidas em diversos casos.
- Organização financeira: com parcelas mais acessíveis, muitas famílias conseguem reorganizar o orçamento doméstico e reduzir o comprometimento da renda com dívidas antigas.
- Redução da inadimplência: os dados oficiais indicam queda consistente da inadimplência entre os grupos atendidos, especialmente nas faixas de renda mais baixas.
Endividamento ainda é desafio para o Brasil
Apesar dos avanços, os números da Quaest mostram que o problema do endividamento permanece relevante. Atualmente, 23% dos brasileiros afirmam ter muitas dívidas e 46% relatam possuir poucas dívidas. Apenas 30% dizem não ter nenhum débito em aberto.
Sob a perspectiva da educação financeira, especialistas alertam que a recuperação do acesso ao crédito é uma faca de dois gumes. Se o consumidor retomar o poder de compra sem uma mudança real de comportamento e planejamento, pode voltar à inadimplência em pouco tempo, já que o programa atua na consequência (a dívida acumulada) e não na causa raiz (como a baixa renda ou a inflação).
Por outro lado, houve melhora em relação ao levantamento anterior, com redução do percentual de pessoas altamente endividadas e aumento da parcela que afirma estar sem dívidas.