O preço do petróleo voltou a subir com força nesta segunda-feira, 13 de julho, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma cobrança de 20% sobre as cargas que passam pelo Estreito de Ormuz (via marítima estratégica localizada no Oriente Médio) e confirmou o retorno do bloqueio aos portos iranianos.
A decisão aumentou a preocupação com o transporte de petróleo em uma das principais rotas comerciais do mundo. Quando cresce o risco de interrupção nesse caminho, o mercado teme que a oferta da matéria-prima diminua, fazendo os preços subirem.

O barril do petróleo Brent, usado como referência em grande parte do mercado mundial, fechou o dia cotado a US$ 83,30 (cerca de R$ 429), com alta de 9,59%. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, terminou a sessão a US$ 78,14 (aproximadamente R$ 402), avanço de 9,42%.
O que provocou a alta do petróleo?
O aumento aconteceu porque o conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a se intensificar. Em uma publicação na rede social “Truth Social”, Donald Trump informou que os Estados Unidos passarão a cobrar uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz. Segundo ele, o valor servirá para compensar os custos de segurança na região.
O presidente norte-americano também anunciou o retorno do bloqueio aos portos iranianos. De acordo com Trump, a medida impede apenas a entrada e a saída de navios e clientes ligados ao Irã. Os demais países continuarão utilizando normalmente a passagem marítima.
Pouco antes do anúncio, o Irã informou que havia voltado a fechar o Estreito de Ormuz após atacar instalações militares dos Estados Unidos em países do Golfo.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante?
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima localizada entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico. Grande parte do petróleo produzido no Oriente Médio passa por esse local antes de seguir para diferentes países.
Cerca de um quinto de todo o petróleo transportado no mundo passa pelo Estreito de Ormuz. Por isso, qualquer ameaça ao funcionamento dessa rota costuma provocar reações imediatas no mercado internacional.
Quando existe o risco de interrupção no transporte, aumenta o receio de falta de petróleo. Com menor oferta, os preços tendem a subir rapidamente.
Como isso pode afetar o Brasil?
Mesmo produzindo petróleo, o Brasil acompanha as oscilações do mercado internacional. Quando o barril fica mais caro no exterior, cresce a pressão sobre os preços dos combustíveis, já que o petróleo é a principal matéria-prima usada na produção de gasolina, diesel e outros derivados.
Os efeitos também podem aparecer em outros setores da economia. O diesel abastece a maior parte dos caminhões que transportam mercadorias pelo país. Se o combustível sobe, o custo para levar alimentos, roupas, eletrodomésticos, medicamentos e outros produtos até supermercados e lojas também aumenta.
Essas despesas podem ser repassadas ao consumidor, deixando o custo de vida mais alto ao longo do tempo.
Conflito já provocou outras altas
A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã começou em 28 de fevereiro de 2026 e, desde então, o mercado do petróleo passou por fortes oscilações. Durante esse período, o barril chegou a ser negociado perto de US$ 120 (cerca de R$ 618), refletindo a preocupação com a oferta mundial da matéria-prima.
Nesta segunda-feira, 13 e julho, o conflito ganhou um novo capítulo depois que a Guarda Revolucionária do Irã (braço de elite das Forças Armadas iranianas) informou ter atacado instalações militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait, além de atingir sistemas de radar em Omã e depósitos de combustível e munição na Jordânia.
Esses novos confrontos aumentaram ainda mais a tensão na região e reforçaram o receio de novas dificuldades para o transporte de petróleo.
Preocupação vai além dos combustíveis
A alta do petróleo não preocupa apenas os motoristas, já que o aumento dos preços da matéria-prima também eleva o risco de inflação em vários países. Isso acontece porque combustíveis mais caros aumentam os custos de transporte, produção e distribuição de mercadorias. Quando esses gastos crescem, empresas podem repassar parte das despesas aos consumidores, pressionando os preços de diversos produtos do dia a dia.
Enquanto o conflito continuar sem uma solução, o mercado seguirá acompanhando os acontecimentos no Estreito de Ormuz. Qualquer nova interrupção na passagem de navios pode provocar novas altas no preço do petróleo e aumentar os custos para consumidores em diferentes partes do mundo.


