Reconhecimento e expectativa para o Oscar
Além do sucesso nas premiações, “Ainda Estou Aqui” já vinha colecionando elogios e prêmios, incluindo o de Melhor Roteiro no Festival de Veneza. O longa reafirma a força do cinema brasileiro no circuito global e prova a capacidade do país de contar histórias impactantes e universais, mesmo ao revisitar momentos dolorosos de sua história.
Com as indicações, cresce a expectativa para a cerimônia do Oscar 2025, que acontece em 2 de março. Independentemente do resultado, “Ainda Estou Aqui” já se consagra como um marco de resistência, talento e reconhecimento internacional para o cinema brasileiro.
Recordes e liderança nacional
Além de conquistar reconhecimento internacional com indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, “Ainda Estou Aqui” também se tornou a produção de maior público da carreira de Walter Salles. Até o final de novembro, o longa já havia sido assistido por 1,7 milhão de espectadores, ultrapassando o recorde de “Central do Brasil” (1998), que levou 1,6 milhão de pessoas às salas de cinema no Brasil.
Com um orçamento de R$ 8 milhões, a combinação da direção experiente de Salles e um roteiro envolvente garantiu ao filme um lugar de destaque entre as principais produções nacionais. No ranking das maiores estreias brasileiras de 2024, “Ainda Estou Aqui” já ocupa a terceira posição, ficando atrás apenas de “Nosso Lar 2: Os Mensageiros” e “Os Farofeiros 2”.
O sucesso nas redes sociais
Após conquistar o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama, Fernanda Torres protagonizou mais um feito marcante. Sua participação no Jimmy Kimmel Live gerou um recorde de 3,5 milhões de visualizações no Instagram do programa, um número impressionante, muito superior ao alcançado por outras celebridades, como Selena Gomez, que obteve 450 mil visualizações na mesma plataforma.
A mobilização dos brasileiros foi um dos pontos altos dessa repercussão. Redes sociais foram tomadas por mensagens de apoio e orgulho, com uma verdadeira “tropa digital” demonstrando força e união. Esse engajamento já havia sido visto em outros momentos, como quando uma foto de Fernanda Torres no perfil oficial do Globo de Ouro atingiu 1 milhão de curtidas em apenas 24 horas.
Além disso, fãs tomaram conta das publicações exigindo o discurso de agradecimento da atriz, e até mesmo críticas negativas foram respondidas com provocações bem-humoradas. Destacam-se as reações contra o crítico francês Jacques Mandelbaum, do Le Monde, e o programa argentino Vamos Las Chicas, que satirizou Fernanda.
Esse fenômeno digital tem um contraste evidente com a indicação ao Oscar de 1999, quando “Central do Brasil” representou o Brasil sem o impacto das redes sociais. Hoje, o poder das redes é inegável, com uma mobilização nacional que chama atenção internacionalmente.
Resta a dúvida: será que essa mobilização influenciará o voto da Academia? O que é certo é que o sucesso de Fernanda Torres e o êxito de “Ainda Estou Aqui” refletem um talento imenso e um fervor pelo cinema nacional que ultrapassa as fronteiras do Brasil e conquista o mundo.
Sobre o filme:
Dirigido por Walter Salles, “Ainda Estou Aqui” é uma adaptação do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva. O drama revisita um dos períodos mais sombrios da história do Brasil, a ditadura militar dos anos 1970, narrando a trágica história de Rubens Paiva, interpretado por Selton Mello.
O enredo acompanha sua esposa, Eunice (Fernanda Torres), e seus filhos, que lidam com a ausência repentina do patriarca, levado por militares e nunca mais visto.
O elenco também conta com Valentina Herszage, Maeve Jinkings, Antonio Saboia, Humberto Carrão, Dan Stulbach, Charles Fricks, entre outros.
No Brasil, o filme segue em cartaz e tem sido apontado como a melhor aposta nacional no Oscar em quase 20 anos.
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