IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Indústria sobe 3,3% em relação a 2024, mas recua no bimestre

Por

·

A produção da indústria brasileira teve alta de 3,3% em maio, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 2 de julho.

A produção industrial do país está 2,1% acima do nível pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020. No acumulado de 12 meses, o crescimento foi de 2,8%. Por outro lado, segue 15% abaixo do maior patamar da série histórica, alcançado em maio de 2011, e teve recuo de 0,5% em maio, na comparação com abril. Essa é a segunda queda mensal seguida, após recuo de 0,2% em abril.

Análise da indústria brasileira em maio
Apesar do aumento em relação ao ano anterior, queda na produção da indústria no bimestre preocupa especialistas | Foto: Reprodução / Canva

Alta no ano, queda no bimestre

A retração dos últimos meses foi puxada, principalmente, pela indústria de veículos, um setor que costuma ter forte peso na atividade econômica. A produção de carros, reboques e carrocerias caiu 3,9% no mês. Outros setores importantes também registraram queda, como produtos derivados de petróleo (-1,8%), alimentos (-0,8%), bebidas (-1,8%), roupas (-1,7%) e móveis (-2,6%).

Entre os 25 ramos industriais pesquisados, 13 tiveram queda. Apenas 11 cresceram, com destaque para a indústria extrativa, que teve alta de 0,8% e vem acumulando bom desempenho desde o início do ano.

Consumo menor e juros altos ajudam a explicar o recuo

Um dos principais motivos para o desempenho da indústria é a política de juros altos no Brasil. A taxa Selic, que é a taxa básica da economia, está em 15% ao ano. Com esse nível, fica mais caro tomar empréstimos e financiamentos, tanto para empresas quanto para consumidores. Isso acaba reduzindo a compra de bens duráveis, como carros e eletrodomésticos, que dependem de crédito.

Além disso, o aumento dos juros afeta os investimentos das empresas, que adiam ou cancelam planos de expansão ou compra de máquinas. Isso reduz a produção, diminui a geração de empregos e impacta toda a cadeia produtiva. Como consequência, há uma desaceleração na economia como um todo.

Entre as grandes categorias econômicas da indústria, três das quatro tiveram queda em maio. A maior retração foi nos bens de consumo duráveis (-2,9%), como automóveis e eletrodomésticos. Também caíram os bens de capital (-2,1%), que incluem máquinas e equipamentos, e os bens de consumo semi e não duráveis (-1%), que envolvem itens como roupas, alimentos e produtos de higiene. Apenas os bens intermediários, que são usados na produção de outros produtos, tiveram leve alta de 0,1%.

Com a produção em queda e o crédito mais caro, as famílias tendem a consumir menos. Isso pode causar atrasos na renovação de bens essenciais, como veículos e eletrodomésticos, e também afeta a indústria de alimentos e bebidas, já que o consumo fora de casa e o lazer costumam ser reduzidos em tempos de incerteza econômica.

Queda na produção pode refletir em menos empregos e renda

A desaceleração da indústria pode ter reflexos diretos na vida da população. Com menos produção, é comum que empresas reduzam turnos, suspendam contratações ou até realizem demissões. Setores como o de veículos, vestuário e móveis, que estão entre os que mais caíram em maio, empregam muitos trabalhadores e movimentam diversas outras atividades, como transporte e comércio.

O impacto também atinge os pequenos negócios e os trabalhadores informais que dependem da atividade industrial de forma indireta. Menos produção significa menos transporte de mercadorias, menos serviços contratados, menor giro nos centros comerciais e, consequentemente, menor circulação de dinheiro na economia.

A perspectiva para os próximos meses é de crescimento modesto na produção industrial. Analistas do mercado financeiro projetam avanço de cerca de 1,2% para 2025. No entanto, alertam que esse crescimento deve ser mais concentrado em poucos setores e que a maior parte da indústria pode seguir em ritmo lento, especialmente enquanto os juros continuarem elevados.

Além disso, incertezas no cenário fiscal e dificuldades no comércio exterior também influenciam negativamente. Por isso, mesmo com uma leve recuperação no acumulado do ano, a indústria ainda está longe de retomar o fôlego de anos anteriores.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade