Consumo menor e juros altos ajudam a explicar o recuo
Um dos principais motivos para o desempenho da indústria é a política de juros altos no Brasil. A taxa Selic, que é a taxa básica da economia, está em 15% ao ano. Com esse nível, fica mais caro tomar empréstimos e financiamentos, tanto para empresas quanto para consumidores. Isso acaba reduzindo a compra de bens duráveis, como carros e eletrodomésticos, que dependem de crédito.
Além disso, o aumento dos juros afeta os investimentos das empresas, que adiam ou cancelam planos de expansão ou compra de máquinas. Isso reduz a produção, diminui a geração de empregos e impacta toda a cadeia produtiva. Como consequência, há uma desaceleração na economia como um todo.
Entre as grandes categorias econômicas da indústria, três das quatro tiveram queda em maio. A maior retração foi nos bens de consumo duráveis (-2,9%), como automóveis e eletrodomésticos. Também caíram os bens de capital (-2,1%), que incluem máquinas e equipamentos, e os bens de consumo semi e não duráveis (-1%), que envolvem itens como roupas, alimentos e produtos de higiene. Apenas os bens intermediários, que são usados na produção de outros produtos, tiveram leve alta de 0,1%.
Com a produção em queda e o crédito mais caro, as famílias tendem a consumir menos. Isso pode causar atrasos na renovação de bens essenciais, como veículos e eletrodomésticos, e também afeta a indústria de alimentos e bebidas, já que o consumo fora de casa e o lazer costumam ser reduzidos em tempos de incerteza econômica.


