As exportações de livros brasileiros alcançaram um resultado histórico nos primeiros seis meses de 2025. Entre janeiro e junho, o setor movimentou mais de 14 milhões de dólares (cerca de 75,6 milhões de reais), com a venda de obras traduzidas e comercializadas em outros países.

De acordo com dados do projeto Brazilian Publishers, ligado à Câmara Brasileira do Livro, o desempenho reflete uma combinação de fatores. Um deles é a maior presença do Brasil em feiras literárias internacionais, que têm aproximado escritores, editoras e tradutores de diferentes regiões do mundo. Outro ponto importante são os programas de incentivo à tradução, que ampliam as chances de que autores brasileiros sejam publicados fora do país.
O resultado positivo não surgiu de forma isolada. Em 2024, o valor obtido com exportações já havia registrado alta de 50% em relação ao ano anterior. Em 2023, o crescimento foi ainda mais expressivo: o dobro do que havia sido registrado em 2022. Esse movimento contínuo mostra que o mercado editorial brasileiro tem conquistado cada vez mais espaço no exterior.
Autores brasileiros ganham espaço lá fora
A lista de autores que chegaram a novos públicos nesse período é diversificada. Escritores contemporâneos, como Jeferson Tenório, vêm sendo traduzidos e publicados em diferentes continentes. O livro O Avesso da Pele, lançado em 2020, já alcançou edições em 11 países. A obra, vencedora do Prêmio Jabuti em 2021, trata de questões sociais brasileiras, mas também aborda sentimentos universais, como o luto e a relação entre pai e filho.
Outros nomes recentes também têm se destacado. Obras de Itamar Vieira Júnior, Carla Madeira e Ailton Krenak estão entre as mais procuradas por editoras estrangeiras. Além deles, Giovana Madalosso conseguiu boa recepção no exterior com Suíte Tóquio, que já foi traduzido para quatro idiomas.
Incentivo à tradução impulsiona resultados
O incentivo à tradução tem sido decisivo nesse processo. Em 2024, a Fundação Biblioteca Nacional registrou 310 pedidos de editoras estrangeiras interessadas em publicar obras brasileiras. Esse número foi o dobro do registrado no ano anterior, indicando que há um interesse crescente em títulos de autores contemporâneos.
Apesar desse avanço, os clássicos da literatura nacional ainda ocupam grande espaço entre os mais traduzidos. Livros como Dom Casmurro, de Machado de Assis, e A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, continuam sendo os mais presentes em programas de apoio. Esses títulos funcionam como porta de entrada para que leitores estrangeiros conheçam a produção brasileira e, depois, busquem escritores atuais.
O impacto da internet também ajuda a explicar parte desse movimento. Em 2024, por exemplo, um vídeo de uma escritora americana reagindo à leitura de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, teve mais de 1,5 milhão de visualizações. Esse tipo de divulgação desperta curiosidade em novos leitores e amplia o alcance da literatura brasileira.
Feiras internacionais ampliam divulgação
No primeiro semestre de 2025, representantes da Câmara Brasileira do Livro participaram de feiras literárias na Itália, Inglaterra, Argentina e Colômbia. Para a segunda metade do ano, já estão previstas ações de divulgação em países como Alemanha, Emirados Árabes Unidos e México. A presença nesses espaços é estratégica, já que permite contato direto com agentes do mercado editorial de diferentes regiões.
Esse cenário tem gerado reflexos positivos não apenas para os escritores, mas também para tradutores e editoras nacionais. A ampliação da rede de contatos favorece a circulação de mais obras e cria novas oportunidades de negócios.
O desempenho no primeiro semestre de 2025 mostra que o mercado brasileiro está em um momento de consolidação no exterior. O interesse por livros traduzidos cresce em diferentes idiomas, e o investimento em eventos internacionais e programas de incentivo tem sido determinante para manter esse ritmo.
Com o resultado atual, a expectativa é que o ano de 2025 encerre com um novo recorde no setor. Se a tendência continuar, o Brasil poderá fechar dezembro com valores muito acima dos já alcançados, ampliando ainda mais a presença da literatura nacional no mundo.


