A marca Tupperware, conhecida pelos potes plásticos que marcaram gerações, vive uma nova fase. Prestes a completar 80 anos, a empresa tenta se recuperar de uma crise financeira mundial e aposta fortemente no Brasil para isso. O país, junto com o México, representa 80% do faturamento global da marca.
A Tupperware, fundada em 1946, já esteve presente em mais de 60 países e chegou a valer US$ 5 bilhões, o equivalente a R$ 26,65 bilhões na cotação atual. No entanto, o excesso de dívidas levou a empresa a pedir falência nos Estados Unidos em setembro de 2024, por meio do Chapter 11, um processo de recuperação judicial que permite reestruturação de empresas endividadas.
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Em outubro do mesmo ano, a companhia foi vendida a um grupo de credores por US$ 86,5 milhões (R$ 461,1 milhões). Agora, com uma nova administração e uma estratégia renovada, a Tupperware busca reconquistar espaço no mercado global e manter seu status de “love brand”, marcas que despertam forte apego emocional entre consumidores.
Vendas diretas continuam como símbolo da marca
Mesmo com as dificuldades financeiras enfrentadas nos últimos anos, a Tupperware conseguiu preservar uma de suas maiores tradições: as vendas diretas, realizadas em reuniões nas casas de clientes ou revendedoras. Esses encontros, conhecidos popularmente como “festas da Tupperware”, ajudaram a marca a se consolidar como símbolo de qualidade e durabilidade.
De acordo com Patrícia Braga, diretora de marketing da Tupperware na América Latina, as consultoras são consideradas “influenciadoras internas”, pois são elas que mantêm a relação de confiança com o consumidor. “A venda direta é onde acontece a paixão pela marca”, afirma Braga.
A estratégia segue relevante mesmo em tempos de comércio digital. Para muitas famílias brasileiras, especialmente das classes C e D, a venda porta a porta ainda é uma forma acessível e confiável de adquirir produtos domésticos de longa duração.
Reestruturação e aposta da Tupperware no digital
Apesar da tradição nas vendas presenciais, a Tupperware busca atrair um público mais jovem. Para isso, investe em canais digitais e parcerias com influenciadores. Um exemplo foi a primeira live shop da marca, realizada em agosto de 2025 no Instagram e no TikTok.
O evento durou apenas um dia, mas as promoções se estenderam pelo fim de semana, resultando em um crescimento de 64% nas vendas entre agosto e setembro, segundo a empresa.
Essas ações fazem parte da estratégia de reestruturação global que prevê crescimento de 4% no faturamento da América Latina em 2025, com avanço estimado entre 4% e 7% em 2026. A meta é equilibrar a força histórica da venda direta com o alcance e a agilidade do comércio digital.
Brasil como protagonista do novo ciclo
O papel do Brasil nessa retomada é essencial. O país se tornou um dos principais mercados da Tupperware no mundo, tanto pelo volume de vendas quanto pela fidelidade dos consumidores.
Enquanto em países desenvolvidos o modelo de revenda doméstica perdeu força, no Brasil ele ainda se mantém como uma importante fonte de renda para milhares de famílias. Além disso, o público brasileiro tem forte ligação emocional com a marca, que já faz parte da rotina de muitas gerações.
Combinando tradição e inovação, a Tupperware tenta se reposicionar sem perder sua essência. O desafio agora é equilibrar o legado de oito décadas com a necessidade de atrair novos consumidores em um cenário dominado por influenciadores, aplicativos e lojas online.


