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“Career Shrekking”: por que jovens estão aceitando cargos abaixo de suas capacidades?

As consequências para a carreira

Uma das consequências mais graves do career shrekking é o chamado rust-out, quando a pessoa se sente enferrujada por não usar plenamente seus talentos. Gomes afirma que, em poucos meses, profissionais podem se sentir desmotivados ao perceber que podem dar mais, mas escolheram a estabilidade.

Esse desengajamento também afeta a empresa. Ao subutilizar talento, a companhia deixa de aproveitar o investimento em capacitação e, muitas vezes, enfrenta rotatividade, porque o trabalhador acaba saindo. Para a empresa, a vantagem parece imediata, um colaborador “conformado”, mas o preço pode ser alto em inovação e resultado.

Além disso, alguns líderes reforçam esse comportamento. Ferreira alertou que gestores menos experientes podem favorecer profissionais que “obedecem” em vez de desafiar a equipe. Isso cria um problema: ninguém evolui, nem a pessoa, nem o time, nem a companhia.

Por que esse caminho é arriscado emocionalmente

Embora o career shrekking pareça proteger contra o risco de falhar, reforça inseguranças profundas. Ao escolher funções facilmente seguras, o profissional internaliza a ideia de que não merece desafios e deixa de se arriscar. Com isso, a construção de autoestima profissional fica comprometida.

Com o tempo, até pequenas mudanças na empresa, como uma reestruturação ou uma nova liderança, podem se tornar fonte de ansiedade, porque a pessoa se acostumou a depender de seu próprio controle sobre a “zona de segurança”.

Segundo Ferreira, é importante transformar esse comportamento. Ela defende que, em vez de aceitar apenas por segurança, os profissionais devem cultivar curiosidade, aprender a lidar com riscos e desenvolver autoconfiança para crescer mesmo diante da incerteza.

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