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Trabalhadores da América Latina têm jornada mais longa do mundo, revela estudo

Impactos na saúde e na produtividade

A OIT alerta que jornadas excessivas podem gerar impactos diretos na saúde e na produtividade. Um em cada cinco trabalhadores na América Latina atua por mais de 48 horas semanais, proporção bem acima da observada na Europa e na América do Norte.

Em entrevista ao InfoMoney, a especialista Sonia Gontero revelou que o tempo de trabalho é um elemento central da qualidade do emprego e do bem-estar das pessoas. A medição permite compreender melhor como se distribui a carga laboral entre homens e mulheres e entre diferentes grupos ocupacionais.

Estudos citados pela OIT mostram que jornadas longas aumentam a fadiga, o número de erros operacionais e o absenteísmo. Além disso, ampliam os riscos de doenças cardiovasculares e transtornos mentais, segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Tendência de redução ao longo dos anos

Apesar das disparidades, o relatório destaca uma evolução positiva no tempo de trabalho médio na região. Nos últimos 20 anos, a jornada efetiva caiu duas horas por semana na América Latina.

Esse movimento segue uma tendência observada nos países da OCDE, onde a média passou de 37,8 horas semanais em 1990 para 35 horas em 2023, uma redução de quase 8%. A queda foi mais expressiva entre os homens (menos 4 horas) do que entre as mulheres (menos 1,4 hora).

Para especialistas, o avanço está relacionado ao crescimento da automação, à ampliação das licenças remuneradas e ao fortalecimento das leis trabalhistas. No Brasil, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) fixa a jornada máxima em 44 horas semanais, com limite de 8 horas diárias, mas muitos profissionais ainda trabalham acima desse teto, especialmente em setores como comércio e serviços.

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