Desigualdade de gênero e dupla jornada
A OIT também chama atenção para as diferenças entre homens e mulheres. Em média, os homens trabalham 42,7 horas semanais, enquanto as mulheres registram 36,9 horas. Porém, ao considerar o trabalho doméstico e de cuidados não remunerados, a carga total feminina é maior.
No Brasil, segundo o IBGE, as mulheres dedicam mais de 21 horas semanais a tarefas domésticas, enquanto os homens gastam apenas 11 horas. Isso significa que, somando atividades formais e domésticas, a jornada feminina pode ultrapassar 58 horas semanais.
A OIT defende a ampliação de políticas públicas de corresponsabilidade e flexibilização de horários, especialmente para mães solo e cuidadoras. “Promover o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é essencial para o desenvolvimento sustentável e a inclusão social”, destaca Gontero.
Comparação global e desafios futuros
O relatório aponta que a América Latina segue entre as regiões com maior tempo de trabalho no mundo, ao lado da Ásia Meridional e da África Subsaariana. No extremo oposto estão os países europeus, onde a média é inferior a 35 horas semanais, e há avanços na adoção da semana de quatro dias.
Especialistas da OIT afirmam que o principal desafio para a região é formalizar o emprego e melhorar a produtividade, permitindo a redução das horas trabalhadas sem perda de renda.
No caso do Brasil, a taxa de produtividade por hora é de US$ 20,80 (R$ 118,50), segundo o Banco Mundial, enquanto na média da OCDE esse valor ultrapassa US$ 60 (R$ 342,00).
A OIT defende que ganhos de produtividade, aliados a políticas de qualificação e inovação, são caminhos para equilibrar a carga laboral e promover empregos mais sustentáveis.