Alcançar 16 bilhões de visualizações no YouTube não é apenas um feito impressionante; é o resultado de uma verdadeira operação estratégica nos bastidores do entretenimento infantil. Em conversa recente com Marina Fraga, diretora-executiva (CEO) da Oinc Filmes, mergulhei na estrutura que sustenta o 3 Palavrinhas e entendi que o segredo da marca não está apenas no algoritmo, mas em uma combinação poderosa: planejamento rigoroso, inovação no conteúdo e uma responsabilidade social que vai além da tela.
Para quem ainda não conhece a dimensão do projeto, o 3 Palavrinhas é um conjunto de conteúdos de entretenimento educativo voltado para crianças de 0 a 6 anos — mas não só. Nessa faixa etária, os pequenos quase sempre assistem acompanhados de um adulto. Criado pela Oinc Filmes, o projeto nasceu com o objetivo de resgatar canções e valores como respeito e convivência, combinando isso com uma linguagem visual moderna e educativa.

O conteúdo é pensado para fortalecer o vínculo entre responsáveis e filhos, valorizando o dia a dia familiar e promovendo um ambiente seguro do ponto de vista emocional. Marina destaca que o foco está no adulto que escolhe o conteúdo, garantindo uma experiência tranquila e confiável para toda a família.
A TV aberta como fronteira de Inclusão
A recente parceria anunciada com a TV Gazeta e o olhar atento a movimentos de emissoras como o SBT revelam uma preocupação estratégica de Marina: a desigualdade no acesso ao conteúdo.
“O futuro da audiência está nas crianças”
afirma Marina Fraga
Para ela, a falta de programação infantil na TV aberta cria uma geração de crianças totalmente dependentes da internet e acaba excluindo quem não tem acesso fácil à rede, como pacientes em hospitais, moradores de comunidades com baixa conectividade ou regiões ribeirinhas. Nesse cenário, ocupar espaço na televisão aberta passa a ser uma forma de democratizar o acesso ao entretenimento infantil.
O caso “Palu”: inovação baseada em escuta e estudo
Um dos pontos mais relevantes da conversa foi a criação do personagem Palu, voltado à neurodiversidade (condições como autismo, TDAH e outras formas diferentes de funcionamento do cérebro).
Marina revelou que a música do personagem levou um ano para ser desenvolvida, com a participação de especialistas, como psicopedagogos, além de estudos sobre o comportamento do público. Segundo ela, o rigor técnico é essencial: “A qualidade vem sempre em primeiro lugar, independentemente do quanto se está ganhando. Não podemos subestimar a criança”.
Mais do que um personagem, Palu é parte de um projeto maior voltado à inclusão. Isso inclui o aplicativo “ABC do 3 Palavrinhas”, que ajuda no processo de alfabetização e também na comunicação de crianças autistas não verbais.
A produtora também criou o Instituto 3 Palavrinhas, que já formou sua primeira turma de educadores especializados no atendimento a crianças autistas. Além disso, no início de abril, lançou livros inéditos com temas socioemocionais, ampliando a atuação da marca para além dos vídeos.
Estrutura de negócio e expansão global
A força financeira do projeto é evidente. Com uma equipe de mais de 180 profissionais, a Oinc Filmes trabalha com diferentes fontes de receita, como o licenciamento de produtos (mochilas, brinquedos e alimentos) e turnês que levam a experiência do digital para o contato presencial com o público.
O processo de expansão internacional já está em andamento, com a marca “Little Word” nos Estados Unidos e planos de adaptação para outros idiomas, como romeno e turco.
O que diferencia a Oinc Filmes é a compreensão de que produzir conteúdo infantil de qualidade pode ter um custo mais alto, mas esse investimento se traduz em confiança das famílias e em uma marca mais duradoura.
Ao apostar em planejamento e no retorno emocional gerado no público — ou seja, no valor que o conteúdo tem para as famílias —, o 3 Palavrinhas se consolida como mais do que um canal: torna-se um ponto de apoio e confiança para a nova geração.


