Movimento político
Muitos críticos da mudança na política da Meta acreditam que a decisão de Mark Zuckerberg tem a ver com uma tentativa de se aproximar do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. Ava Lee, do Global Witness, sugeriu que Zuckerberg pode estar tentando agradar à futura administração de Trump, algo que, segundo ela, pode trazer consequências negativas.
Kate Klonick, professora de Direito na Universidade de St John, afirmou que as mudanças já eram esperadas, especialmente depois que Elon Musk comprou a plataforma X. Ela acredita que, nos últimos anos, a gestão das redes sociais passou a ser um tema mais politizado.
O sociólogo Donald MacKenzie, especialista na Universidade de Edimburgo, disse que as grandes empresas estão se preparando para o segundo mandato de Trump, que promete mudanças ainda mais profundas do que seu primeiro governo. Ele destacou que essas empresas preferem se adaptar a essas mudanças do que se opor a elas.
Nos últimos anos, Trump criticou muito a Meta, chamando o Facebook de “inimigo do povo”. No entanto, a relação entre ele e Zuckerberg parece ter melhorado. Em novembro, Zuckerberg jantou com Trump em Mar-a-Lago, e a Meta contribuiu com US$ 1 milhão para o fundo da cerimônia de posse de Trump. Além disso, a empresa anunciou que Dana White, presidente do UFC e aliado de Trump, se juntará ao conselho da Meta.
A troca de Nick Clegg, um liberal-democrata britânico, por Joel Kaplan, que agora é responsável pelas políticas globais da Meta, foi vista como outro sinal de mudança na empresa. Kaplan, que trabalhou na Casa Branca durante o governo de George W. Bush, tem uma relação próxima com o Partido Republicano. Ele foi o responsável por anunciar as mudanças em uma entrevista ao programa “Fox & Friends”, que tem ligação com Trump.
Vivian Schiller, do Instituto Aspen, disse que a Meta está fazendo um movimento político. Para ela, é difícil não associar essas ações ao retorno de Trump ao poder e aos riscos que ele pode representar para as grandes empresas de tecnologia.
A Meta também enfrenta processos antitruste nos Estados Unidos. A Comissão Federal de Comércio (FTC) acusa a empresa de ter comprado o Instagram e o WhatsApp para eliminar concorrência e fortalecer seu monopólio. Apesar de a Meta afirmar que essas aquisições ajudaram na inovação, o caso ainda está em andamento, e a empresa tenta se alinhar ao novo governo.
Outras grandes empresas de tecnologia, como o Google (Alphabet), também estão enfrentando disputas legais semelhantes. Recentemente, o Departamento de Justiça obrigou o Google a vender ou desativar o navegador Chrome após uma condenação por violação de leis antitruste. MacKenzie acredita que esses casos influenciam diretamente as estratégias da Meta, que quer evitar problemas com o governo Trump.
Lina Khan, presidente da FTC, disse que empresas processadas pela agência podem estar tentando fazer acordos favoráveis com o novo governo. Ela explicou que é natural que empresas como a Meta e a Amazon tentem reduzir as possíveis sanções antes que os processos sejam concluídos, especialmente em um cenário político mais favorável.


