O Brasil registrou um recorde histórico na abertura de novos pequenos negócios em 2025. Nos primeiros cinco meses deste ano, foram criados 2,21 milhões de registros de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), número que representa um crescimento de 24,9% em relação ao mesmo período de 2024. Os dados são do levantamento do Sebrae.
As empresas de pequeno porte são maioria, com 97% desses registros pertencentes a Microempreendedores Individuais (MEIs), Microempresas (MEs) ou Empresas de Pequeno Porte (EPPs). Os MEIs respondem por mais de três quartos de todos os registros, com crescimento de 30,1% em relação ao mesmo período de 2024.

Essa modalidade permite a formalização de quem trabalha por conta própria, com faturamento limitado até R$ 81 mil por ano e menos obrigações fiscais. Com isso, muitos profissionais autônomos passaram a regularizar suas atividades e garantir direitos como acesso à Previdência Social.
A criação de pequenos negócios já vinha em alta nos últimos anos, impulsionada por fatores como desemprego, avanço do trabalho informal e busca por alternativas de renda. Mas o salto de 2025 chama atenção pela velocidade e volume. Trata-se do maior número já registrado para esse período desde que o governo começou a acompanhar os dados, em 2010.
Serviços puxam crescimento e Sudeste concentra maioria das novas empresas
A explosão de novos CNPJs tem relação direta com a expansão do setor de serviços, que lidera entre os segmentos mais escolhidos por quem decide empreender. De cada dez novas empresas abertas em maio, seis foram desse setor. A lista de atividades mais registradas inclui serviços de entrega, transporte de pequenas cargas, publicidade, marketing digital e consultorias diversas.
O comércio aparece em segundo lugar, com um número também significativo de novos negócios, embora com crescimento mais moderado. Já setores como a construção civil e a indústria de transformação mantêm participação menor, mas estável. A explicação pode estar na exigência maior de investimento inicial, estrutura física e contratação de mão de obra.
As microempresas e empresas de pequeno porte, que envolvem faturamentos mais altos e estruturas mais complexas que o MEI, também apresentaram crescimento. Nesse grupo, destacam-se empresas voltadas à área da saúde, como clínicas médicas e odontológicas, e ao setor de serviços administrativos. Esses dados indicam um fortalecimento das pequenas estruturas organizadas, não apenas do trabalho individual.
Regionalmente, o Sudeste lidera a criação de novas empresas. São Paulo continua na frente, com quase um terço dos registros nacionais. Minas Gerais e Rio de Janeiro também aparecem entre os estados com mais empreendedores. No entanto, a tendência é nacional, com avanços visíveis em todas as regiões do país.
Facilidade para abertura de empresas estimula formalização
Entre os fatores que explicam esse salto no empreendedorismo formal está a simplificação do processo de abertura. Um MEI pode ser registrado pela internet, sem custo e em poucos minutos. Isso atrai quem antes estava na informalidade, mas precisa emitir nota fiscal, contratar funcionários ou acessar crédito bancário.
Além disso, programas públicos de microcrédito e capacitação têm sido reforçados, o que contribui para dar suporte aos novos empreendedores.
A formalização também garante acesso a benefícios sociais e previdenciários, o que se tornou um diferencial importante após os impactos da pandemia e das mudanças no mercado de trabalho. Cada vez mais, o CNPJ deixa de ser visto apenas como burocracia e passa a representar segurança para quem empreende.
Com o resultado expressivo de 2025, a expectativa é de que o país feche o ano com novo recorde anual de abertura de empresas. A tendência indica que o empreendedorismo de pequeno porte, especialmente o individual, continuará a ocupar papel central na geração de renda, emprego e dinamismo econômico no Brasil.


