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Black Friday 2025 registra retração e aponta mudança no consumo

A Black Friday 2025 chega ao varejo brasileiro em um cenário marcado por endividamento elevado, juros altos e perda de confiança do consumidor. Segundo estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) em parceria com a FIA Business School, o interesse pela data atingiu um dos níveis mais baixos desde que o evento passou a ser monitorado no Brasil.

O levantamento mostra que o índice de interesse dos consumidores caiu para 394 pontos em 2025. O resultado representa retração de 9,13% na comparação com 2024, quando o índice era de 430 pontos. Em relação ao pico histórico, registrado em 2019 com 764 pontos, a queda acumulada chega a 48,4%. O dado indica perda de força de uma das datas mais relevantes do varejo nacional.

O estudo acompanha a série histórica desde 2010 e revela que, após crescimento contínuo até o fim da década, o engajamento do consumidor entrou em trajetória de queda nos últimos anos. A partir de 2020, a combinação de inflação alta, aumento do endividamento e desaceleração econômica passou a influenciar diretamente o comportamento de compra.

Leia também: Consumo nas favelas muda com digitalização e pertencimento, revela pesquisa

Consumidores avaliam preços durante a Black Friday em meio ao aumento do endividamento | Foto: Reprodução/Canva
Consumidores avaliam preços durante a Black Friday em meio ao aumento do endividamento | Foto: Reprodução/Canva

Endividamento e juros explicam parte do recuo nas compras

As condições macroeconômicas de 2025 ajudam a explicar o desaquecimento da Black Friday. Dados da PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgados pela Confederação Nacional do Comércio, mostram que 48,91% da renda das famílias está comprometida com dívidas. O indicador representa estabilidade em relação a 2024, mas ainda aponta para um patamar elevado de comprometimento do orçamento.

A desaceleração na criação de empregos formais também influencia o quadro. Segundo o Ministério do Trabalho, o país registrou ritmo mais lento de contratações ao longo de 2025, o que reduz a confiança do consumidor em assumir novos compromissos financeiros. A taxa básica de juros permanece em níveis elevados, restringindo o acesso ao crédito e encarecendo o financiamento de bens duráveis.

Para Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, diversos fatores contribuem para a queda de interesse. Ele afirma que o consumidor tem sido impactado pelo cenário de endividamento, pela menor geração de empregos e pela percepção de que muitas promoções não entregam descontos reais, o que reduz a credibilidade da data.

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