Endividamento e juros explicam parte do recuo nas compras
As condições macroeconômicas de 2025 ajudam a explicar o desaquecimento da Black Friday. Dados da PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgados pela Confederação Nacional do Comércio, mostram que 48,91% da renda das famílias está comprometida com dívidas. O indicador representa estabilidade em relação a 2024, mas ainda aponta para um patamar elevado de comprometimento do orçamento.
A desaceleração na criação de empregos formais também influencia o quadro. Segundo o Ministério do Trabalho, o país registrou ritmo mais lento de contratações ao longo de 2025, o que reduz a confiança do consumidor em assumir novos compromissos financeiros. A taxa básica de juros permanece em níveis elevados, restringindo o acesso ao crédito e encarecendo o financiamento de bens duráveis.
Para Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, diversos fatores contribuem para a queda de interesse. Ele afirma que o consumidor tem sido impactado pelo cenário de endividamento, pela menor geração de empregos e pela percepção de que muitas promoções não entregam descontos reais, o que reduz a credibilidade da data.


