A expectativa de vida ao nascer no Brasil subiu para 76,6 anos em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O aumento corresponde a cerca de dois meses e meio a mais de vida em comparação a 2023 e confirma a tendência de avanço da longevidade no país ao longo das últimas décadas.

Mulheres vivem mais, enquanto homens jovens seguem mais expostos
As mulheres continuam vivendo consideravelmente mais que os homens. Em 2024, a expectativa feminina subiu para 79,9 anos, enquanto a masculina chegou a 73,3 anos, uma diferença de 6,6 anos. Segundo o IBGE, essa distância está muito ligada ao comportamento da mortalidade entre jovens do sexo masculino, que continuam mais vulneráveis a mortes violentas, como homicídios, acidentes de trânsito e outras causas externas.
O levantamento mostra que a chamada “sobremortalidade masculina” é maior entre os 15 e os 29 anos. Rapazes de 15 a 19 anos têm 3,4 vezes mais chance de morrer do que garotas da mesma idade. Entre aqueles de 20 a 24 anos, essa proporção sobe para 4,1 vezes, e na faixa de 25 a 29 anos, fica em 3,5 vezes.
O IBGE explica que esse comportamento, observado há décadas, está associado ao rápido processo de urbanização do país a partir dos anos 1980, quando as mortes violentas passaram a ocupar posição importante na estrutura de mortalidade brasileira. Mesmo com os avanços, o instituto afirma que a expectativa de vida dos homens poderia ser ainda maior se esse tipo de ocorrência fosse menos frequente.
Mortalidade infantil cai e ajuda a elevar a expectativa de vida
A taxa de mortalidade infantil, que considera as mortes de crianças com menos de um ano, também apresentou recuo. Em 2024, o índice ficou em 12,3 mortes por mil nascidos vivos, abaixo das 12,5 mortes por mil registradas em 2023. A queda é expressiva quando observada em perspectiva histórica: em 1940, o Brasil registrava 146,6 mortes infantis por mil nascidos, o que evidencia uma grande melhora ao longo do tempo.
Para o IBGE, a redução contínua dessa taxa está ligada a diversos fatores. Campanhas de vacinação, maior acesso ao pré-natal, incentivo ao aleitamento materno, atuação dos agentes comunitários de saúde e programas de nutrição infantil têm desempenhado papel central nessa evolução.
Além disso, avanços sociais, como aumento da renda, da escolaridade e do número de domicílios com saneamento adequado, também contribuíram para a queda das mortes infantis e, consequentemente, para o aumento da expectativa de vida no país.
População idosa vive mais do que nunca
O aumento da longevidade não se limita à expectativa ao nascer. Quem chega aos 60 anos em 2024 passa a viver, em média, mais 22,6 anos, número superior ao registrado no ano anterior, quando a expectativa adicional era de 22,5 anos. Esse é o maior valor em nove décadas de medição. Em 1940, uma pessoa de 60 anos tinha perspectiva média de viver apenas mais 13,2 anos.
As diferenças entre homens e mulheres continuam nessa fase da vida. Aos 60 anos, os homens vivem em média mais 20,8 anos, enquanto as mulheres vivem mais 24,2 anos. Aos 80 anos, a tendência se mantém: elas têm expectativa de viver mais 9,5 anos, enquanto eles vivem mais 8,3 anos. O IBGE destaca que esses números reforçam a transformação da estrutura etária do país, que vem envelhecendo de forma acelerada.
Brasil avança, mas ainda distante dos países mais longevos
Apesar da melhora significativa, o Brasil segue atrás das nações com maior expectativa de vida. Em 2024, países como Mônaco (86,5 anos), San Marino (85,8 anos), Hong Kong (85,6 anos), Japão (84,9 anos) e Coreia do Sul (84,4 anos) lideram o ranking global de longevidade. Mesmo assim, o IBGE ressalta que a melhora contínua dos indicadores brasileiros demonstra evolução importante nas condições de vida, de saúde e de assistência à população.
O que os dados mostram sobre o futuro do país?
O aumento da expectativa de vida gera uma série de impactos na vida prática dos brasileiros e nas políticas públicas. Uma população que vive mais exige maior atenção à saúde preventiva, ao cuidado prolongado, ao financiamento da previdência e a programas de proteção social voltados especialmente aos idosos.
Ao mesmo tempo, a alta mortalidade entre jovens homens aponta para um desafio urgente em segurança, educação e políticas sociais direcionadas à juventude, que ainda enfrenta riscos muito superiores aos das mulheres.
Mesmo com esses desafios, o avanço da expectativa de vida confirma que o país segue melhorando em aspectos essenciais, como saúde pública, acesso a serviços básicos e condições sociais gerais. Para o IBGE, o conjunto desses fatores explica por que brasileiros estão vivendo mais e com mais qualidade do que no passado.