IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Presidente, Congresso e STF: entenda quem faz o quê nos Três Poderes

Por

·

Quando uma nova lei é criada, uma obra pública é planejada ou uma decisão da Justiça muda a vida de alguém, diferentes partes do Estado podem estar envolvidas. Isso acontece porque, no Brasil, o poder não fica concentrado em uma única pessoa ou instituição.

Presidente, Congresso e STF: entenda quem faz o quê nos Três Poderes
A Constituição Federal determina a existência de três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário | Foto: Reprodução / Canva

Eles são independentes, mas precisam trabalhar de forma coordenada e também fiscalizar uns aos outros.

O que são os Três Poderes?

A ideia de dividir o poder surgiu ainda na Antiguidade, mas foi francês Charles Montesquieu que consolidou a teoria na obra O Espírito das Leis, publicada em 1748. A lógica dele é simples: se todo o poder estiver concentrado em um só lugar, aumenta o risco de abuso. Por isso, as funções do Estado são distribuídas entre diferentes Poderes.

No Brasil, essa divisão aparece desde a Constituição de 1824 e foi mantida pela Constituição de 1988. O artigo 2º da Constituição estabelece que os Poderes da União são independentes e harmônicos entre si: Legislativo, Executivo e Judiciário. Com isso, cada Poder tem suas próprias funções e, ao mesmo tempo, existem mecanismos para que um possa limitar ou fiscalizar determinadas ações dos demais.

  • Executivo → administra e coloca as políticas em prática.
  • Legislativo → cria leis e fiscaliza o Executivo.
  • Judiciário → aplica e interpreta as leis e protege direitos.

Essa é a divisão básica, mas a relação entre eles é mais próxima e envolve várias etapas.

Poder Executivo: quem administra o país

O Executivo é responsável principalmente por administrar o país e colocar as leis e políticas públicas em prática. É nesse Poder que estão o presidente da República, os governadores e os prefeitos.

A diferença está no território administrado:

  • Presidente: atua no âmbito da União, cuidando de assuntos de interesse nacional;
  • Governador: administra o estado;
  • Prefeito: administra o município.

Se uma política pública depende de uma ação do governo, é o Executivo que fica responsável por administrar os recursos e colocar essa política em funcionamento, dentro de suas competências.

No caso do presidente, suas funções são mais amplas. Entre elas estão enviar ao Congresso propostas de orçamento, sancionar ou vetar leis, editar medidas provisórias com força de lei, manter relações com outros países e organizar o funcionamento da administração federal. Ele também pode declarar guerra e celebrar a paz, além de decretar estado de defesa e estado de sítio, nas situações previstas pela Constituição.

Quem escolhe os ministros do STF?

Essa é uma situação que mostra como os Poderes se relacionam. Os ministros do Supremo Tribunal Federal são nomeados pelo presidente da República, mas a escolha precisa ser aprovada pelo Senado Federal.

Poder Legislativo: cria leis e fiscaliza o governo

Se o Executivo administra, o Legislativo tem duas tarefas que aparecem com frequência no dia a dia da política: elaborar leis e fiscalizar os atos do Executivo. No nível federal, o Legislativo é formado por deputados federais e senadores que trabalham no Congresso Nacional, que é dividido em duas casas:

  • Câmara dos Deputados: os deputados federais representam a população.
  • Senado Federal: os senadores representam os estados e o Distrito Federal.

Nos estados, o Legislativo é formado pelos deputados estaduais. Nos municípios, pelos vereadores.

Caso seja apresentada uma proposta para criar uma nova regra, ela precisa passar pelo processo legislativo correspondente. Depois de aprovada pelo Legislativo, uma lei federal ainda pode depender da atuação do Executivo: o presidente pode sancionar, ou seja, confirmar a lei, ou vetar o texto, total ou parcialmente. Esse é um dos exemplos de como os Poderes não funcionam isoladamente.

O Legislativo também exerce funções de controle. Entre suas atribuições estão analisar as contas apresentadas pelo presidente, autorizar determinadas medidas e, em situações previstas na Constituição, processar e julgar autoridades.

Poder Judiciário: aplica as leis aos casos concretos

Quando existe um conflito que precisa ser resolvido pela Justiça, entra em cena o Poder Judiciário, que tem como função interpretar e aplicar as leis em situações concretas. Também cabe ao Judiciário proteger direitos individuais, coletivos e sociais.

Outra tarefa importante é verificar se determinadas leis estão de acordo com a Constituição. Por exemplo: se uma lei é criada, mas surge uma discussão sobre sua aplicação ou sobre sua compatibilidade com a Constituição, o Judiciário pode analisar a questão e tomar uma decisão dentro de suas competências.

Isso não significa que os juízes criem todas as regras do país. A função típica do Legislativo é elaborar as leis. O Judiciário, por sua vez, interpreta e aplica essas normas nos casos que chegam à Justiça.

Quem faz parte do Poder Judiciário?

O Judiciário não é formado apenas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Constituição apresenta diferentes órgãos, entre eles o Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça, o Tribunal Superior do Trabalho, os Tribunais Regionais Federais e juízes federais, os tribunais e juízes do Trabalho, Eleitorais, Militares e os tribunais e juízes dos estados e do Distrito Federal e Territórios.

Presidente, Congresso e STF: entenda quem faz o quê
Supremo Tribunal Federal é apenas um dos ógãos que fazem parte do judiciário, segundo a COnstituição Federal | Foto: Reprodução / Canva

No topo do Judiciário está o Supremo Tribunal Federal, formado por 11 ministros, escolhidos entre cidadãos de 35 a 70 anos com notável saber jurídico e reputação ilibada. Eles são nomeados pelo presidente da República depois da aprovação pelo Senado.

Entre os processos que podem começar diretamente no STF estão ações penais comuns contra o presidente da República, o vice-presidente, integrantes do Congresso Nacional, os próprios ministros do Supremo e o procurador-geral da República.

E o que significa “freios e contrapesos”?

A ideia é simples: um Poder possui mecanismos para limitar ou controlar determinadas ações de outro. Isso existe para evitar que uma única parte do Estado concentre todo o poder.

Um exemplo está no orçamento. O Executivo prepara as propostas de orçamento, mas elas precisam passar pela análise do Legislativo.

Outro aparece na criação de leis: o Legislativo produz as normas, mas o Executivo pode sancioná-las ou vetá-las, conforme as regras constitucionais.

O Judiciário também participa desse equilíbrio, já que, entre suas funções, está analisar se as leis estão de acordo com a Constituição.

É como se o sistema tivesse mecanismos de segurança para impedir que qualquer Poder possa fazer tudo sozinho.

Três Poderes não significa três governos

Existe ainda uma diferença importante entre Poderes e esferas de governo.

Os Poderes são: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Já o Estado brasileiro está organizado em diferentes esferas: União, estados, municípios e Distrito Federal.

Essas esferas possuem competências próprias e não formam uma hierarquia simples em que a União manda nos municípios. A União cuida de assuntos de interesse nacional e representa o Brasil internacionalmente. Os estados tratam de questões relacionadas aos seus territórios e têm competências próprias. Os municípios concentram-se nos assuntos locais.

Por exemplo: a Constituição estabelece que cabe à União legislar sobre comércio exterior e interestadual. Já os municípios têm, entre outras atribuições, a organização e a prestação de serviços públicos de interesse local, como o transporte coletivo.

Há ainda assuntos que envolvem mais de uma esfera, como a saúde e a assistência pública, por exemplo, que estão entre as áreas de competência comum.

Afinal, quem manda em quem?

Ninguém “manda” nos outros Poderes. A Constituição determina que Executivo, Legislativo e Judiciário sejam independentes e harmônicos entre si. Cada um tem funções próprias, mas existem pontos de contato entre eles. Por isso, uma decisão do presidente pode depender do Congresso, uma lei aprovada pelos parlamentares pode ser sancionada ou vetada pelo presidente e uma questão envolvendo a aplicação de uma lei pode chegar à Justiça.

O objetivo dessa divisão é manter o poder distribuído e criar mecanismos de controle. Os três têm funções diferentes, mas fazem parte do mesmo sistema. É justamente a relação entre eles que cria os chamados freios e contrapesos, evitando que o poder fique concentrado em uma única instituição.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade