O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reacendeu o debate sobre a tarifa zero no transporte público. Em entrevista na última terça-feira, 7 de outubro, ao programa Bom dia, Ministro, da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), ele afirmou que a equipe econômica, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está preparando uma “radiografia” do setor para avaliar se é possível tornar o transporte gratuito para a população em larga escala.

“Estamos fazendo uma radiografia do setor a pedido do presidente. Há vários estudos sendo recuperados pela Fazenda para verificar se existem formas mais adequadas de financiar o transporte público”, disse Haddad.
A meta é identificar formas de reorganizar o financiamento do transporte coletivo e encontrar um modelo que combine sustentabilidade fiscal e impacto social positivo.
A proposta de transporte gratuito não é nova. Em 2013, o tema dominou as ruas durante as manifestações que pediam redução das tarifas e o chamado “passe livre”. Naquele momento, a ideia foi vista como improvável. Mais de uma década depois, o cenário mudou: o Brasil é hoje o país com mais cidades com tarifa zero no mundo, segundo o relatório “Tarifa Zero nas Cidades do Brasil 2025”, da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).
Segundo o estudo, 154 municípios brasileiros oferecem algum nível de gratuidade, seja total, parcial ou em dias específicos. Desse total, 127 cidades mantêm tarifa zero todos os dias da semana, em todas as linhas e para todos os passageiros. Outras 17 aplicam a gratuidade apenas em finais de semana ou feriados, e 10 adotam o modelo de forma parcial, geralmente em bairros periféricos.
A expansão ganhou força depois da pandemia. Com a queda brusca no número de passageiros e o aumento dos custos, especialmente do combustível, muitas prefeituras precisaram assumir parte do custeio para manter os ônibus em circulação. Segundo a NTU, 73% das cidades com tarifa zero implantaram o programa a partir de 2020.


