Como as cidades pagam a conta?
A tarifa zero não elimina o custo do transporte, apenas muda quem paga por ele. Cada cidade organiza o financiamento de acordo com sua realidade econômica. O relatório da NTU mostra que há três modelos principais de custeio:
O primeiro é o uso direto do orçamento municipal, adotado por cidades como Caucaia (CE), Ibirité (MG), São Caetano do Sul (SP) e Itapetininga (SP). Nesses casos, a prefeitura repassa os recursos às empresas que operam o sistema ou cobre os custos da frota pública.

Outro modelo é o criado por meio de fundos específicos, que garantem uma receita dedicada para o transporte. Em Paranaguá (PR), o Fundo de Transporte Coletivo Municipal é abastecido por taxas locais, como o estacionamento rotativo. Já Formosa (GO) tem um Fundo Municipal de Transporte Urbano com estrutura semelhante.
O terceiro caminho vem de emendas parlamentares e verbas extras. Luziânia (GO) e Ituiutaba (MG) utilizam esse tipo de recurso para custear o programa. Embora menos estáveis, essas fontes ajudam a viabilizar o serviço em cidades médias, onde o transporte é essencial, mas o orçamento é limitado.
Há também casos excepcionais, como o de Maricá (RJ), que financia sua tarifa zero com parte dos royalties do petróleo. O município criou a Empresa Pública de Transportes (EPT) para gerir o sistema, que tem 47 linhas e 148 ônibus. O custo anual chega a R$ 87,6 milhões, mas a prefeitura afirma que as famílias economizam em média 20% da renda mensal por não pagar passagem.


