O que motivou a queda do dólar?
A forte queda do dólar nesta terça-feira, 22 de janeiro, pode ser vista como uma correção após um período de aumento constante da moeda, especialmente no final de 2024. Lucélia Freitas, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, explicou para o jornal Estadão que o recuo do dólar não deve ser interpretado como uma desvalorização abrupta, mas sim como uma “calibração” natural do mercado. Segundo ela, o dólar teve um aumento exponencial recentemente, e agora o mercado busca um ponto de equilíbrio.
A surpresa, no entanto, foi a magnitude dessa queda. “Esperávamos que o dólar ficasse próximo a R$ 6, mas hoje ele acabou rompendo essa barreira, o que é um movimento positivo”, afirmou Freitas. A especialista sugeriu que essa queda pode ser de curto prazo, sendo uma boa oportunidade para investidores aproveitarem o momento.
Leia também: Fraude no Pix: prejuízo pode ultrapassar R$ 12 bilhões até 2028
Influência das declarações de Donald Trump

Além da correção do câmbio, outro fator importante que influenciou o mercado foi uma declaração de Donald Trump sobre a imposição de tarifas sobre produtos importados da China.
Em coletiva de imprensa realizada na terça-feira, Trump anunciou que estava discutindo uma tarifa de 10% sobre as importações chinesas, que entraria em vigor em 1º de fevereiro. Essa tarifa, no entanto, é bem abaixo dos 60% prometidos durante a campanha presidencial, o que, segundo analistas, diminui os temores de uma “guerra comercial” mais intensa.
Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, destacou ao Estadão que a expectativa de uma tarifa mais baixa diminui o risco de uma valorização ainda maior do dólar, o que pode ter ajudado a suavizar as tensões no mercado de câmbio.
“Essa questão das tarifas já causava uma grande incerteza nos mercados, especialmente no câmbio, mas com a mudança de tom de Trump, a pressão sobre o dólar diminui”, comentou.


