A discussão sobre o Imposto de Renda dos bilionários no Brasil está no centro das propostas de reforma tributária em tramitação no Congresso. Dados oficiais mostram que os super-ricos contribuem proporcionalmente menos do que a classe média, resultado de brechas legais que isentam dividendos e lucros, principais fontes de sua renda.
Segundo informações divulgadas pelo governo federal, apenas 2,54% do total arrecadado com o Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) vêm dos 141 mil mais ricos do país. Esse grupo representa cerca de 0,07% da população brasileira, mas grande parte da sua riqueza é originada de lucros e dividendos — atualmente isentos de tributação no Brasil.

Um estudo realizado pelo economista Sérgio Wulff Gobetti, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revelou que quem ganha mais dinheiro paga, proporcionalmente, menos imposto. A análise incluiu tanto os rendimentos pessoais quanto os ganhos obtidos via empresas.
Por exemplo, 0,01% da população brasileira recebe aproximadamente R$ 8 milhões por ano e paga, em média, uma alíquota efetiva de 13%. Esse percentual é semelhante ao de um contribuinte com renda anual de cerca de R$ 72 mil. Já os 0,1% mais ricos, que recebem a partir de R$ 1,4 milhão anuais, também pagam uma alíquota efetiva próxima de 13,2%, enquanto quem ganha R$ 78 mil ao ano contribui com 12,2%.
Entre os 1% mais afortunados, com renda anual a partir de R$ 313 mil, a diferença é ainda menor: apenas 0,7 ponto percentual superior à de quem ganha R$ 78 mil por ano.
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