A chamada “taxa das blusinhas” vem mudando o comportamento de boa parte dos brasileiros que costumavam adquirir itens em sites do exterior. Segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 27 de outubro, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 38% dos consumidores deixaram de comprar em plataformas estrangeiras desde que voltou a ser cobrado o imposto sobre remessas de até US$ 50 (cerca de R$ 280).

O tema, que gerou polêmica nas redes sociais, reacendeu o debate sobre os custos das importações, a competitividade do varejo nacional e os efeitos do preço final para o consumidor.
O que é a “taxa das blusinhas”?
O apelido popular faz referência às compras de roupas e acessórios baratos vindos de lojas internacionais, como Shein, Shopee e AliExpress. Esses sites conquistaram milhões de brasileiros por oferecerem variedade e preços bem abaixo dos praticados no comércio interno.
Até 2023, pedidos de até US$ 50 estavam isentos de imposto de importação, graças ao Programa Remessa Conforme, criado pela Receita Federal. O objetivo do programa era simplificar o comércio eletrônico internacional e garantir que as plataformas estrangeiras declarassem corretamente seus envios.
Mas, em meados de 2024, o governo decidiu retomar a cobrança do imposto federal de 20% sobre essas remessas. A justificativa foi igualar as condições de concorrência entre vendedores estrangeiros e o varejo brasileiro, que paga uma carga tributária maior.
Desde 1º de agosto de 2024, todas as encomendas do exterior passaram a ser tributadas tanto pelo Imposto de Importação (20%) quanto pelo Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual, que varia entre 17% e 20%. Com isso, o valor final dos produtos aumentou significativamente, somando impostos, frete e possíveis taxas extras de transporte.