Alternativas estudadas pelo governo
Para compensar a queda de arrecadação da MP do IOF, a equipe econômica já estuda outras fontes e ajustes:
- Reapresentar trechos da MP como projeto de lei, focando em medidas menos polêmicas, como limitação de compensações tributárias indevidas, estimada em cerca de R$ 10 bilhões para 2026.
- Retomar partes do decreto original sobre IOF, com potencial de arrecadação adicional de R$ 7 bilhões, embora sem contar com operações consideradas inconstitucionais, como operações de antecipação a fornecedores.
- Elevar distribuição de dividendos de estatais e realizar novos leilões de petróleo e gás.
- Contingenciamentos rigorosos já no início de 2026, buscando frear gastos que não são essenciais.
- Inclusão da revisão de renúncias fiscais (benefícios tributários) ainda em tramitação no Congresso.
Mesmo com esses caminhos, vários especialistas já indicam que, mesmo no melhor cenário, parte do cumprimento da meta dependerá de ajustes difíceis e “receitas incertas”.
Cenários e riscos para o cumprimento da meta
Para economistas como Felipe Salto, da Warren Investimentos, o cenário de cumprir o centro da meta hoje é “impraticável”, mesmo considerando o piso (déficit zero). Ele afirma ao InfoMoney que mesmo usando a banda inferior, ainda seria preciso limar despesas em mais de R$ 30 bilhões.
Outros analistas projetam que o governo, se mantiver a meta, terá de buscar receitas extraordinárias ou contingenciamentos agressivos. A IFI considera as metas “insustentáveis” a longo prazo.
Caso a meta não seja alterada, há risco de pressão sobre juros, câmbio e inflação, uma vez que agentes de mercado poderiam interpretar a dificuldade como descontrole fiscal.
Por outro lado, uma mudança formal da meta antes mesmo da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) ainda dependeria de forte consenso nos bastidores e causaria ruídos.