Plataformas controlam ritmo e remuneração do trabalho
O IBGE classifica como “trabalho plataformizado” as atividades controladas por aplicativos que organizam aspectos essenciais da profissão, como acesso a clientes, avaliação de desempenho, meios de pagamento e distribuição das tarefas.
Segundo o levantamento, 91,2% dos motoristas de transporte particular (exceto táxis) afirmaram que o valor recebido por corrida é determinado pelo aplicativo, enquanto 81,3% dos entregadores relataram o mesmo controle. Entre taxistas que usam aplicativos, o percentual foi de 79,4%.
Os dados mostram ainda que 76,7% dos motoristas dependem do aplicativo para definir quais clientes atender, 76,8% dos entregadores recebem os pagamentos por meio da plataforma e 70,4% afirmaram que o prazo para a realização das tarefas também é determinado digitalmente.
O IBGE destacou que esses fatores evidenciam autonomia limitada entre os trabalhadores plataformizados, especialmente nas categorias de transporte particular e entregas urbanas.
Jornadas mais longas e influência de bônus e punições
A pesquisa identificou que os aplicativos influenciam diretamente a jornada e o comportamento dos trabalhadores por meio de estratégias como bônus, promoções, punições e bloqueios.
Em 2024, 55,8% dos motoristas de aplicativo e 50,1% dos entregadores relataram que incentivos financeiros e promoções afetam seus horários de trabalho. Além disso, mais de 30% desses profissionais disseram já ter sofrido ameaças de punição ou bloqueio como forma de controle de produtividade.
Apesar disso, 78,5% dos motoristas de aplicativos afirmaram que ainda valorizam a possibilidade de escolher seus dias e horários de trabalho, um dos principais atrativos do modelo.