Contexto econômico e desafios estruturais
O relatório do IBGE foi desenvolvido em parceria com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a União Europeia, e busca entender o impacto das plataformas digitais na economia.
O estudo reforça que, embora o trabalho por aplicativo tenha se consolidado como fonte de renda para milhões de brasileiros, ele apresenta baixa formalização, dependência tecnológica e alta volatilidade de ganhos.
A renda por hora dos motoristas de aplicativo (R$ 13,9) equivale a cerca de US$ 2,35, considerando a cotação média de R$ 5,90 por dólar em outubro de 2025. Já a dos motociclistas (R$ 10,8) corresponde a US$ 1,83.
Esses valores mostram que, mesmo com o avanço das plataformas digitais e do consumo via delivery, a remuneração média ainda é inferior à de muitas ocupações formais. Segundo o IBGE, o rendimento médio do trabalhador brasileiro em 2024 foi de R$ 3.230 por mês, ou R$ 18,56 por hora, considerando uma jornada de 174 horas mensais.
Perspectivas para o setor
Com a ampliação das discussões sobre regulamentação do trabalho por aplicativo, o tema da proteção social e previdenciária segue no centro do debate. Propostas em análise pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Congresso Nacional buscam equilibrar direitos e deveres entre trabalhadores e plataformas, mas ainda não há consenso sobre o formato ideal.
Enquanto isso, o número de trabalhadores plataformizados segue crescendo, impulsionado pelo desemprego e pela busca por renda extra.