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Empresas fecham 2025 com menos bônus e mais pressão sobre políticas salariais

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Exposição de salários e repercussão no mercado

Em 2025, um relatório divulgado pela corretora de investimentos XP, com base em dados públicos da CVM, chamou atenção ao listar a remuneração de executivos do mercado financeiro. Embora o material tenha sido retirado do ar, a repercussão evidenciou o interesse crescente do público por informações sobre ganhos elevados em um contexto de renda pressionada para a maioria da população.

Os valores divulgados, expressos em reais, alcançavam dezenas de milhões por ano em alguns casos, considerando salários fixos, bônus e incentivos de longo prazo. O episódio reacendeu o debate sobre transparência, governança e percepção social da remuneração executiva.

Cargos inflados e impacto na estrutura salarial

Outro fenômeno observado ao longo do ano foi a chamada síndrome do cargo fictício. Para atender expectativas de progressão de carreira, algumas empresas passaram a conceder novos títulos sem mudanças equivalentes em atribuições, autonomia ou impacto no negócio.

Essa prática gerou distorções internas, uma vez que a remuneração nem sempre acompanhou os valores praticados pelo mercado para cargos com denominação semelhante. O resultado foi o aumento de insatisfação e dificuldades adicionais na gestão salarial.

Pejotização e riscos jurídicos

A contratação de profissionais como pessoa jurídica continuou presente em 2025, especialmente como alternativa para redução de encargos. A legislação brasileira permite esse modelo, desde que não haja subordinação caracterizada.

Especialistas alertam, porém, que a migração do regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) para o modelo PJ (Pessoa Jurídica) exige cuidados específicos para evitar passivos trabalhistas, o que inclui critérios de remuneração compatíveis, distinção clara de funções e práticas de gestão diferenciadas.

Stock options e decisões judiciais

Os planos de “stock options”, opções de compra de ações que algumas empresas oferecem a colaboradores-chave, voltaram ao radar das empresas após decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que reconheceram a natureza mercantil desses programas. O entendimento trouxe maior segurança jurídica, uma vez que os ganhos passaram a ser tratados como ganho de capital, com tributação distinta da renda do trabalho.

Antes dessa definição, havia disputas com a Receita Federal sobre a incidência de impostos, o que desestimulava a adoção desse tipo de incentivo. Em 2025, a mudança influenciou revisões em políticas de remuneração de longo prazo.

Tecnologia e gestão salarial

A digitalização da gestão de remuneração também ganhou relevância. Ferramentas capazes de aumentar transparência, padronização e agilidade nos processos passaram a ser vistas como necessárias para lidar com expectativas das gerações mais jovens e com exigências de governança.

Relatos do setor indicam que decisões salariais baseadas apenas em critérios subjetivos perderam espaço, sendo substituídas por sistemas que cruzam dados de desempenho, mercado e orçamento, todos expressos em valores monetários em reais.

Realidade impõe ajustes às previsões

Ao longo de 2025, temas considerados prioritários no início do ano foram gradualmente substituídos por desafios imediatos de negócio. Insegurança econômica, pressão por resultados e necessidade de controle de custos influenciaram diretamente a forma como empresas lidaram com salários, benefícios e incentivos.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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