Quando entretenimento e publicidade deixam de ter fronteiras
E aí mora o ponto: o que as bets fazem não é simplesmente “anunciar”, mas gamificar o risco financeiro. Elas pegam os mesmos gatilhos psicológicos usados em jogos de celular, aqueles que fazem você completar uma barrinha de Tamagotchi, subir de nível e voltar todos os dias, e aplicam isso à sua conta bancária.
O cérebro humano não tem como saber que está sendo manipulado por uma barra de progresso sem propósito real. Ele apenas entende que existe uma tarefa e que ela precisa ser concluída. Quando o resultado quase chega lá, mas não chega, o sistema de recompensa do cérebro pede mais, e mais, e mais uma rodada. De aposta em aposta, são mais atenção, mais tempo e, no fim, mais dinheiro.
Foi exatamente esse cenário que, nesta semana, finalmente provocou uma reação mais dura do governo federal. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o Executivo vai editar uma Medida Provisória para limitar a publicidade de bets durante a Copa do Mundo, com novas regras valendo já a partir da segunda fase do torneio. A comparação que o próprio ministro fez não foi por acaso: ele equiparou as apostas ao cigarro, afirmando que “bet faz mal à saúde”. As peças publicitárias deverão trazer avisos de conscientização ao final, no mesmo modelo já utilizado para bebidas alcoólicas.


