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O verdadeiro negócio das bets não é o futebol, é a sua atenção

A resposta do governo e o reconhecimento do problema

Reconhecer publicamente que apostar tem o mesmo potencial de dano social que o tabaco já representa um avanço importante em um país que, até pouco tempo atrás, tratava esse setor como motor de crescimento econômico, sem questionar o custo humano por trás dos números.

É obrigatório discutir limites reais de exposição, horários, frequência, formato e, principalmente, a responsabilização de quem constrói esses produtos para explorar a vulnerabilidade psicológica em escala industrial.

Enquanto isso, quem já está sentindo o problema na pele tem onde buscar ajuda. O transtorno relacionado aos jogos de apostas é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e tem tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O diagnóstico pode começar por um autoteste no aplicativo Meu SUS Digital, na seção "Problemas com jogos de apostas". Quem já reconhece o problema e quer dar um passo concreto pode recorrer à autoexclusão das plataformas, pelo serviço disponível no Gov.br.

A decisão que vai definir o futuro das apostas no Brasil

A crise das bets dentro das transmissões esportivas é o momento em que o Brasil vai decidir, na prática, qual será o futuro das apostas no país: se vamos seguir terceirizando para o cidadão comum a tarefa de se proteger de uma indústria bilionária treinada para captar a atenção e o dinheiro alheio ou se vamos, enfim, construir uma política séria de proteção física, mental e econômica da população.

Que Deus e os orixás nos ajudem a fazer a escolha certa, porque, desta vez, essa será a régua que vamos usar por muito tempo.

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