Quando o consumo realmente indica recessão
Apesar da crítica aos “índices curiosos”, Antonio reconhece que o consumo das famílias é um indicador importante da atividade econômica. Em momentos de pessimismo, é comum ver queda nas compras de bens duráveis, como carros e eletrodomésticos.
Por isso, hábitos de consumo são relevantes, desde que avaliados em conjunto com outros dados macroeconômicos, como inflação, taxa de juros, crédito e nível de emprego.
Setor de beleza também sente a crise
A teoria do batom nem sempre se sustenta na prática. No primeiro trimestre de 2025, grandes empresas do setor de beleza mostraram sinais de desaceleração. A Coty, por exemplo, reduziu sua previsão de lucro e anunciou o corte de 700 funcionários. A LVMH viu a divisão de perfumes e cosméticos estagnar. A L’Oréal teve um crescimento modesto de 3,5%.
Segundo analistas, o setor enfrenta estoques altos no varejo e incertezas econômicas. Além disso, há uma mudança de comportamento do consumidor americano, impactado pela inflação anual de 2,7%, considerada elevada nos padrões do país e pela desaceleração do crescimento econômico.
Consumo consciente e redes sociais
Outro fator importante é a mudança geracional. A geração Z, influente nas redes sociais, tem adotado o chamado “underconsumption core”, ou subconsumismo, que prega uma rotina de beleza mais básica e consciente. A tendência ganhou força no TikTok e reflete preocupações com o excesso de estímulos ao consumo e com a sustentabilidade.
*Entrevistas concedidas a Forbes


