Meta de carbono neutro até 2050
O Acordo de Paris, assinado por 195 países, estabelece como meta limitar o aquecimento global a 2ºC, com um esforço para restringir o aumento a 1,5ºC e alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Para limitar o aquecimento a 1,5ºC, é necessária a neutralidade de carbono.
O mercado de carbono no Brasil: desafios e perspectivas
A aprovação do Projeto de Lei que regulamenta o mercado de carbono no Brasil é um passo importante, colocando o país em destaque nas políticas climáticas globais. O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) tem o potencial de ser um marco, sendo uma ferramenta fundamental para atingir as metas de redução de emissões do Brasil.
Atualmente, existem 36 sistemas de comércio de emissões no mundo, movimentando 12,5 bilhões de toneladas de CO2 equivalente em 2023, com transações superiores a 900 bilhões de dólares.
A regulamentação do mercado de carbono ajudará o Brasil a cumprir suas metas de redução de 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2035, em relação aos níveis de 2005. O sistema deve inicialmente abranger cerca de 30% das emissões dos setores de indústria e energia, representando aproximadamente 6% das emissões totais do Brasil.
Além disso, o SBCE poderá se integrar ao mercado voluntário de carbono, predominantemente voltado ao setor florestal, o que ampliará seu impacto positivo.
De acordo com a McKinsey, o Brasil tem o potencial de gerar até 100 bilhões de dólares no mercado de carbono até 2030, grande parte dos quais poderia ser investida em melhorias socioambientais em áreas vulneráveis do país.
Embora a aprovação do Projeto de Lei seja um avanço, há desafios técnicos que precisam ser superados. A definição de alguns conceitos, a gestão do CONAREDD+ e a regulamentação do consentimento livre, prévio e informado são pontos que precisam de ajustes para garantir a efetividade do mercado de carbono.
Impactos da implementação
A implementação eficiente do SBCE pode ter um grande impacto econômico e ambiental. Se bem estruturado, o mercado de carbono pode movimentar bilhões de dólares anualmente, funcionando como uma plataforma eficaz para negociação de créditos de carbono e permissões de emissão. Porém, a falta de uma base legal técnica sólida pode dificultar sua adoção.
Investimentos em tecnologias limpas e criação de empregos em setores como energia renovável e reflorestamento são esperados com a implementação do SBCE, como apontado pela UNEP. Resolver os problemas técnicos e operacionais do sistema é essencial para alcançar melhores resultados ambientais e garantir a competitividade econômica a longo prazo.
O mercado de carbono brasileiro tem grande potencial para transformar setores específicos da economia e posicionar o país como um líder global em questões climáticas. No entanto, é necessário resolver os desafios técnicos e legais para que esse potencial se realize.
Isso implica em investimentos em capacitação, regulamentações claras e infraestrutura adequada, essenciais para garantir a credibilidade do sistema e atrair investidores. Com as melhorias necessárias, o Brasil pode se tornar um líder global em descarbonização e desenvolvimento sustentável.
Leia também: Google doa R$ 20 milhões para a Amazônia


